Ponto G
6 de April, 2009
“As mulheres gostam que lhes digam palavras de amor. O ponto G está nos ouvidos. Inútil procurá-lo em outro lugar.”
(supostamente dito por Isabel Allende em entrevista a Playboy e comentado por Martha Medeiros, que concorda. “Supostamente” porque a Internet infoma mas é também um poço sem fundo de autorias equivocadas. Recebi por email, e não consegui comprovar a veracidade da autoria. O que me importa é que se eu li, certamente muitos outros também leram e há alguém dizendo isso por aí)
Antes de mais nada, Verinha não é uma especialista em anatomia feminina, e este não pretende ser um artigo científico. Mas o assunto é sério e Verinha, que tão pouco é leviana, foi pesquisar: a existência do Ponto G não é consenso absoluto na comunidade científica. Os que defendem sua existência, afirmam que o Ponto G é uma área esponjosa, entre 1 e 2cm, próxima a uretra e acessível pela parede interna da vagina. Quando estimulada, pode proporcionar extremo prazer e relatos indicam que o estímulo costuma levar a orgasmo e “ejaculação” feminina. Mais informações podem ser encontradas aqui e também aqui ou ainda aqui . (os dois últimos em inglês)
As mulheres gostam que lhes digam palavras de amor. E quem não gosta?
Cientistas não estão plenamente de acordo sobre a existência do Ponto G. Mas se ele promete prazer em proporções fenomenais, que mal faz procurar? A mulher que encontrou um homem disposto a explorar cada pedacinho do seu corpo em busca incansável pelo tal Ponto G deveria agradecer e curtir cada momento desta busca que – alguém duvida? – será deliciosa, ainda que o dito G não seja encontrado.
Sexo com amor é mais gostoso, gozar com ‘eu te amo’ é melhor. Fisicamente, o orgasmo pode ser o mesmo mas a experiência completa é muito melhor. Verinha não discorda, será que alguém discorda?
Quem ama quer fazer bem. Quem ama quer dar prazer, quem ama explora. Quem ama transforma o sexo num momento de conexão intensa, profundamente íntima, desprendida, de confiança total e absoluta. Há poucos momentos mais mágicos que esses de prazer compartilhado, sem pudores, sem pedir nada em troca. Entre os que se amam, o melhor sexo é aquele que é - em si – uma declaração de amor.
O corpo é um conjunto de pontos - de A a Z, de 1 a 1.000.000 – e não deve ser neglicenciado. Corpo é para ser explorado e estimulado pelo toque, pela boca, por outro corpo e porque não também por palavras ao pé do ouvido. Formas de prazer são para serem buscadas, o prazer do outro é para ser admirado. Sexo é bom, é belo, é para ser curtido, praticado, experimentado, adorado.
Isabel e Martha, ou seja lá quem iniciou a distribuição desse spam internético com mensagem que eu considero tão infeliz: se o amor existe, as palavras que seus ouvidos tanto querem ouvir, virão naturalmente. Acredite. Se não as ouviu, não culpe o sexo, o Ponto G ou a ausência dele, e enquanto isso ou ao invés disso, conheça seu próprio corpo e aproveite,‘enjoy the ride’.
E para os homens que chegaram até aqui, eu lhes peço: não dêem ouvidos a Marthas ou Isabéis. Declaram-se bucando o Ponto G, H, I, J, L de suas amadas, incansavelmente. Elas lhe agradecerão. E as amem. E, vez ou outra, quando elas menos esperarem, supreendam-a com uma declaração romântica e inesperada ao pé do ouvido. Será especial, será apreciado e bem recompensado.
Por Verinha.
Assunto: Mitos que caem, sexo do bom