Qual o seu número?
29 de February, 2008
George Michael declarou recentemente ter praticado sexo com cerca de 500 homens nos últimos 7 anos. 70 por ano, 6 por mês, 1,5 por semana, seja lá o que esse 0,5 signifique. Tal declaração me fez pensar no meu próprio número, obviamente, nem de longe tão expressivo quanto o de George. Será que este número realmente diz alguma coisa sobre mim? E em caso positivo, a pergunta quando feita por um parceiro, é válida? E decidi sair, novamente, em pesquisa de utilidade pública, entre casados e solteiros, homens e mulheres, entre os 20 e poucos e 40 e poucos:
- Qual o seu número?
- Já foi questionado por algum parceiro sobre o número? O que achou da pergunta? Respondeu com sinceridade?
- Já questionou sobre o número de algum parceiro? Se sim, a resposta teve alguma influência no relacionamento? Se nunca questionou, qual foi o motivo?
Antes de mais nada, constatei o que já desconfiava: são os homens os mais frequentes sujeitos de tal pergunta, mesmo que eu não tenha encontrado tantos homens sujeitos-confessos. Foram as mulheres que me contaram de seus homens perguntadores, o que me leva a outra conclusão básica: pessoas mentem. Sobre suas perguntas e seus números.
As mulheres super sinceras e que nem cogitaram mentir são justamente as que têm os números mais deliciosamente prazerosos para o ego masculino: ?dois, incluindo você?. No máximo, três. Para o resto das meras mortais, a pergunta intimida e, tentando adivinhar a resposta desejada, mentem. Convenhamos, tentar adivinhar o que o outro quer ouvir é meio estúpido. Tão estúpido quanto perguntar. Pergunta cretina, resposta cretina. Não posso dizer que foi unanimidade feminina, mas a grande maioria concorda: a pergunta é desnecessária, imbecil e machista, pelos mesmos motivos que as levam a não proferir mesmíssima pergunta:
?O que importa é que ele está comigo agora.?
?Quem procura, acha. Prefiro pensar nele comigo somente, do que ficar imaginando ele com outras mulheres?
?Seja o número dele alto ou baixo, de alguma forma, o trouxe até mim e isso me basta?
Por outro lado, encontrei também ? entre homens e mulheres ? os que não consideram a pergunta machista, mas simplesmente curiosa. ?Quem ama, quer conhecer a vida do outro, e isso inclui o sexo? ? dito por uma mulher, que continua: ?as experiências passadas dizem muito sobre quem a pessoa é, e explicam muitos comportamentos, idéias, inseguranças e atitudes?. Ok, eu concordo que o passado forma quem você é agora. Por esse ponto de vista, a pergunta feita sem julgamentos pode ser válida, desde que dentro de um contexto maior. E vamos combinar: se não sabe lidar com qualquer possível resposta, não pergunte. Vamos a alguns exemplos ilustrativos (e qualquer semelhança com a vida real terá sido mera coincidência):
***
- E aí, com quantos você já transou?
(a moça, antes feliz por ter encontrado um suposto alguém legal, gela: ?o que será que ele quer ouvir??)
- Sei lá, uns 30.
(com cara de espanto)
- 30 ????
(e ela não sabe se xinga o sujeito e manda ele catar coquinho, se inicia um discurso feminista, se retribui a pergunta para provar a normalidade dos fatos, se fica envergonhada e tenta consertar a resposta. Finalmente, conclui que devia ter respondido 128. Se é pra chocar, vamos fazer direito).
***
- E aí, com quantos você já transou?
- Nunca me preocupei em contar, acho que isso não importa.
- Nunca contou? Ah, conta agora…
- Pra que ficar lembrando de passado, vamos aproveitar o momento agora…
- Ih, porque? Perdeu as contas?
(e o moço insiste, a situação fica cada vez pior, ela se irrita e responde ?138, talvez 140?, e tudo termina numa inevitável e inútil briga do casal)
***
Para a felicidade geral da nação feminina, também encontrei homens que dispensam a pergunta ou curiosidade. Preferem não saber, e não julgam importante. Amigos queridos: conversem mais com seus amigos, e nos ajudem a reverter esse quadro
Quanto aos números em si, foram dos mais variados. Há as felizes e sortudas, com seus 1 ou 2, para as quais a quantidade tornou-se simplesmente desnecessária após encontrarem, rapidamente, suas caras-metade. A situação oposta também pode ser o motivo de tanta busca: ?Demorei a entender porque diziam que sexo é tão bom. A experiência não foi boa com meu primeiro namorado, e passei um bom tempo experimentando até entender.? ? confidenciou uma entrevistada, do alto de seus 36 com aproveitamento máximo de talvez uns cinco ou seis. Quantidade definitivamente não é sinônimo de qualidade. E se tem as que buscam muito para se encontrar, há também as que buscam tanto simplesmente porque querem parar de buscar. Enquanto não acham, vão preenchendo quadradinhos no caderninho. Nem todos felizes. ?Eu era feliz e não sabia? ? afirmou uma desiludida solteira, beirando sua primeira dúzia, que achava que sexo seria sempre bom como foi com seus primeiros amados parceiros. Otimista, conclui: ?Cada experiência ruim me faz entender melhor o que me agrada, e quanto mais raras as boas mais proveito quero tirar delas quando acontecem?.
Fato interessante é que foram as mulheres as que mais se dispuseram a me contar suas quantidades. Dentre os homens que me responderam sobre o assunto, apenas dois me contaram seus números. Eu respeito o direito a privacidade de todos, e sempre aviso que não é preciso responder, mas isso deve dizer alguma coisa, não? Talvez não contem, talvez tenham perdido as contas ou quem sabe perceberam o quão inconveniente é a fatídica pergunta.
Um de meus dois amigos no estilo ?minha vida é um livro aberto?, perdeu as contas após complicado cálculo: se foi caso exclusivo de sexo oral, conta pro número? em sexo grupal, cada pessoa conta como 0.5? um menáge a trois conta 1 ou 2 unidades? profissionais do sexo devem ser incluídas na conta? Para simplificar, excluiu todos os casos considerados dúbios e chegou ao número de 20. Como dona da pesquisa, defino: sexo oral conta; no grupal cada um vale como 0.5; no menáge são 2 unidades; profissionais do sexo contam sim, e esse número de 20 foi desclassificado. Me restou apenas um amigo com suas 9 bem aproveitadas mulheres, impossibilitando o que seria certamente uma estúpida comparação estatística entre homens e mulheres. Melhor assim, ninguém precisa dessa guerra dos sexos mesmo.
E depois que um amigo me contou, chocado, que uma moça lhe confessou seus 17, reiterei minha decisão ? pelo bem da comunidade feminina e pela certeza da estupidez da tal pergunta ? de não divulgar estatística alguma. Afinal, não existe número ideal. Se concordamos que o sexo melhora com a intimidade, pessoas com alta incidência de recorrência com baixa quantidade de parceiros seriam as ideais. Por outro lado, se pensamos que são as diferenças que nos movem e ampliam nossa visão do mundo, o melhor seria variar para livrar-se de idéias pré-concebidas e romper com desnecessários tabus, colocando os de maior número numa posição privilegiada. Maior número, mas não 500. Convenhamos, é uma questão de tempo. Quem transa com 500 não pode ter tido tempo hábil para explorar cada um(a). Bendito seja o equilíbrio: nem tanto, nem tão pouco.
E por aqui vou ficando, sem brilhantes conclusões ou estatísticas curiosas, apenas reafirmando o óbvio já sabido desde o início: qualquer número - grande ou pequeno - tem alguma história que o conte. E é essa história a que, talvez, valha a pena contar.
* Dica para as calcinhas: minha teoria particular, formulada após vasta pesquisa, é que as dezenas assustam os machos de plantão. Se quer agradar seu homem-machista, mantenha-se abaixo de 10. Se machismo é algo que corta seu tesão, fale a verdade e lide com as consequências. E caso tenha encontrado um espécime que não seja machista, levante as mãos para os céus e agradeça 3, 10, 20 vezes.
** Pra fechar, piadinha infame, apropriada ao tema e obviamente contada por um homem no decorrer da pesquisa:
- Querida, aposto que você não é capaz de dizer algo que me deixe feliz e triste ao mesmo tempo…
- Teu pau é o maior de toda a vizinhança, meu amor!
Por Micaela.
Assunto: Dicas PC, esses homens...



