Antes de tudo e qualquer coisa, há que se falar das mãos. O psicanalista Freud deu tanta atenção as fases oral e anal, e acabou esquecendo da melhor de todas! Boa mesmo é a fase do tato! A descoberta da sensibilidade da pele, ativada pelo simples ato de tocar-se. Arrisco dizer que, dos 5 sentidos, é o que mais nos faz ciente de nossa própria existência. Até Arnaldo Antunes já concluiu que o corpo existe porque pode ser pego. E se pego de jeito… parece que flutua e deixa de ser matéria pra se transformar em pura energia.
Lembro-me bem de quando descobri que minhas próprias mãos eram mágicas! Um mundo se abriu, e lá fui eu tateando cada pedacinho em banhos que tornavam-se inexplicavelmente longos. De banho em banho, água por água, seguiu-se a fenomenal descoberta do chuveirinho ? praticamente o precursor dos vibradores!
Ah, e finalmente os vibradores!! Passadas as diversas fases posteriores aos longos banhos ? do primeiro beijo a primeira vez - eis que ressurge com força total aquele desejo mais primitivo: o poder de me auto-proporcionar prazer. E, já mulher formada, independente, moderna, ultra-contemporânea, e afoita por novas descobertas e sensações, nada melhor para apimentar a experiência e garantir resultados mais potentes (e rápidos!) que um bom vibrador.
Engana-se quem acha que vibrador é coisa de mulher mal-comida ou mal-amada. O meu primeiro foi presente de um amante lindo, fiel, gentil e tarado. Enviado de surpresa pro hotel em que me hospedava a trabalho, veio com uma calcinha sexy e um recadinho: ?treine bastante. Quero um show particular?. Claro que treinei a semana inteira, meu show foi um espetáculo, e a noite não poderia ter terminado melhor. Calcinha que é calcinha sabe: macho que é macho bom de verdade A-D-O-R-A ver uma mulher se contorcendo de prazer. Só pra depois tentar proporcionar ainda mais prazer, e a coisa vira praticamente uma competição em que somos as maiores beneficiadas.
(E cai o mito de que homem se sente intimidado por vibrador! Só não me chegue na primeira noite com um mega-vibrador anatômico, bem-dotado, com 7 velocidades de vibração. Voltemos ao tato: há de se tê-lo inclusive em sentido figurado.)
Meu vibrador-presente foi batizado de Venâncio, e criamos uma relação hiper gostosa. Volta e meia, permitíamos novamente o amante original em nossa relação e a coisa foi passando de mero voyeurismo. Venâncio é totalmente mente-aberta, e não tem preconceito algum em dividir a ?ativa? simultaneamente com meu outro amante, que por sua vez adorava sentir o vibrante Venâncio dentro de mim.
Essa relação a três pode funcionar muito bem, desde que sempre ocasional para tornar a coisa mais passional e evitar ciúmes. Um dia meu amante original se foi. Venâncio ficou. Curtimos nossa relação a dois. Já convidamos um ou outro, mas eles passam. Venâncio nunca me abandona. É mutante, e já mudou de forma, cor, tamanho e tipo, mas a essência é a mesma ? ele vive pra me dar prazer. E é por isso que eu o amo!
Há uma inacreditável variedade de modelos venancísticos. Vão do clássico aos super high-tech. Tem tamanho e formato para todos os gostos, os rígidos e os de silicone, os com acessórios que prometem a textura de uma língua! Há os que privilegiam a anatomia e os que privilegiam a vibração ? diversas velocidades e tipos. Os acoplados em calcinhas que prometem ser silenciosos e podem ser usados a qualquer hora, tipo aquele aparelhinho da abdominal. Tem a prova d?água, disfarçado de batom, e até uns que vibram de acordo com a música de seu ipod! Criatividade é o que não falta nesse ramo. Tudo depende do gosto (e do bolso) da freguesa.
Se experiência alheia vale de alguma coisa, digo que o tamanho realmente não importa. O falo por si só, sem um entorno masculino exalando calor humano, só me faz lembrar que de fato só o primeiro terço da vagina tem terminações nervosas. Venâncio atualmente faz o gênero ??egg? ? que além de pequenininho e super funcional, é fácil de carregar e disfarça bem quando passa no raio-x do aeroporto ?
E para as calcinhas mais tímidas, a internet brasileira está cheia de sex shops virtuais que fazem sua entrega na maior discrição possível, com direito a nome fantasia na fatura do cartão de crédito, assim tipo motel. E ainda tem uma variedade bem maior de modelos.
Lanço aqui a campanha: toda calcinha merece seu Venâncio! Peça de presente ou dê-se um. O importante é experimentar. Mas lembre-se: na falta de pilha, bateria ou mesmo de um Venâncio pra chamar de seu, suas mãos são mágicas… E ainda há o chuveirinho!
Por Verinha