Sexo a três
13 de February, 2009
Cedo ou tarde, a sua hora vai chegar: o dia em que vão te propor uma transa a três.
Ritinha – que nunca havia fantasiado a respeito – ouviu a proposta do marido: que tal uma outra mulher aqui conosco? E respondeu quase que de imediato: não, não, não, de jeito nenhum! Percebendo que a “convidada” de fato correria risco de vida, Fernando deixou a idéia de lado ainda que, seguramente, segue fantasiando a respeito. Ritinha gostou de saber que seu homem confiava nela a ponto de fazer o convite, ainda que tenha sentido um ciúme do tipo que dói, quis quebrar pratos pela casa e mandá-lo ir dormir na sala, mas se conteve. Ritinha preza a enorme intimidade que compartilham, e isso é mais importante. Pode parecer contraditório, mas Ritinha é mulher esperta.
Se as mulheres abusam dos sentimentos confusos e – de fato - não sabem bem o que querem, eu me arrisco a dizer que, dentre os homens, há pelo menos uma unanimidade: TODOS fantasiam o sexo a três. Ele e mais duas mulheres – gostosésimas, é claro – numa espécie de mini-harém de duas onde as súditas brincam entre si também. E ele, poderoso e viril, copula incansavelmente com as duas, uma e outra, outra e uma, e a de fora ali em atividades complementares interagindo com ele e com a estrela principal momentânea formando cenas que deliciam seus olhos e turbinam em doses extraordinárias seu tesão.
E se todo homem fantasia, ouvir a sugestão é praticamente uma questão de tempo, certo? Eu também achava até sair em pesquisa com amigas, casadas e solteiras, entre 25 e 40 anos, classes A e B, de engenheiras a publicitárias, advogadas a designers. E a maioria – diria cerca de 70% sem grandes cálculos matemáticos – afirma nunca ter sido convidada.
Mas ser “virgem” de convite não significa necessariamente ser “virgem” da fantasia, ainda que as 100% virgens existam. No imaginário de Anabela, costumam ser dois homens-escravos a seu bel-prazer. Já Tarsila imagina que poderia ser uma forma para saciar a curiosidade sobre como seria ser lésbica. Matilde já se imaginou com um homem e outra mulher, mas na posição de “rainha” e a outra mulher de mera coadjuvante atendendo a suas ordens para funções ditas ‘complementares’ (leia-se mãos, beijos, chupadas). Rafa é capaz de se imaginar com dois homens a seu dispor, mas a idéia da dupla penetração a assusta bastante e portanto, negociaria a ausência da modalidade antecipadamente. Há diversidade de estilos e variações sobre o mesmo tema de três, mas fato comum entre a maioria das não-convidadas- mas-que-fantasiam é que é só isso aí: fantasia. É hipotético, não teriam coragem na prática. Ou será que talvez tenha faltado somente o convite?
Interessante observar como os homens parecem mais dispostos a realizar suas fantasias. Mesmo que seja verdade a máxima: “eles falam muito mais que fazem”, difícil encontrar um homem que diria não a oportunidade concreta de realizar sua fantasia das duas mulheres, simplesmente por ‘falta de coragem’. Também é fato que as mulheres são mais criativas, imaginativas porém também mais românticas, e talvez isso explique a menor taxa de conversão fantasia -> realidade. Mas não dá para ignorar os fatores socio-culturais. Sob a ‘falta de coragem’ há sim muito medo de ser julgada, do que os outros vão pensar, de ‘ficar falada’.
Penelope ouviu a sugestão algumas vezes e brincou com a idéia, mas só ouviu convite de um PA (leia-se: pau amigo) com data, hora e convidada escolhida uma única vez. O assunto foi bastante discutido e regras estabelecidas previamente: 1) ela poderia parar a qualquer momento; 2) ela não seria ‘ativa’ com a convidada (no máximo, retribuiria beijos na boca); 3) não haveria penetração com a convidada, que estaria ali para servir. A convidada aceitou todas as regras, não havia grande envolvimento emocional, a oportunidade parecia perfeita. Penelope disse sim para, em cima da hora, não aparecer na data marcada. Desitiu. Achou que era ‘um pouco demais’, teve medo de não poder confiar na fulana e a história se espalhar. E sexo a três ainda é GRANDE tabu. Teria que ser segredo absoluto, mas se segredo entre dois já é difícil, imagine entre três. Melhor não arriscar.
Mas como todo tabu que se preze, é claro que o da menage a trois também excita. Leticia foi inesperadamente convidada por um casal em uma boite. Recusou o convite, mas sentiu-se poderosa e a mulher mais desejável do mundo. Helena foi convidada por uma amiga que contou que seu PA do momento fantasiava com as duas. Mais uma recusa, e mais uma mulher adorando ser desejada. E mulher quando se sente desejável, sai de baixo. Tá pra existir chamariz ou afrodisíaco melhor.
E a mesma Leticia super-poderosa, quando convidada por uma ex-namorada a participar de um menage com uma terceira, sentiu-se ofendida, duplamente traída. Cida – que faz parte do time das nunca-convidadas – afirma que se sentiria traída caso ouvisse o convite de um homem que amasse. E essa parece ser outra quase-unanimade: com envolvimento emocional, nem pensar.
Horacio me contou de uma ex-namorada que quis realizar a fantasia, com uma terceira mulher. Parecia muito segura. Ele aceitou, curtiram com a convidada escolhida por ela, e o relacionamento degringolou. Ela achou que ele havia curtido mais com a outra, morreu de ciúme e não segurou a onda. Digam o que quiserem, mas há sempre um grande risco envolvido. Ainda que, parece, existem casais que lidam bem com o tema. Ou não haveriam tantas casas de swing – mas isso é assunto para outra coluna.
Finalmente, não vou esquecer das que me confessaram jamais ter cogitado a possibilidade, nem em fantasia. Os motivos para a repulsa variaram entre ‘cruzes, é liberal demais pra mim!’ e ‘acho que não conseguiria manter o foco, sexo é bom a dois’. Seja qual for o motivo, é motivo bom o suficiente. Não quer, não faça – é a regra básica. E felizmente – ou coincidentemente - essas também nunca foram convidadas.
E a essa altura, vale um esclarecimento sobre o ‘convite’. Convite não precisa ter hora marcada. Pode ser simplesmente uma sugestão, uma brincadeira, um flerte, um jogo. O cara pergunta se você gostaria (ou vice-versa), se tem a fantasia, você responde que sim, imaginam como seria e está iniciado um delicioso jogo-sexual-aumenta-tesão. Ainda que, em muitos casos, os dois saibam desde o início que a idéia não seria realizada. Foi assim com o casal Pilar e Fred, e até mesmo Ritinha e Fernando lá do início. Há fantasias que existem para serem isso mesmo: fantasia. Parte do imaginário. E nem por isso, deixam de ser gostosas.
Penelope – a mesma da desistência lá de cima - uma vez ouviu a sugestão de um candidato a namorado, início de relação: ‘você já pensou em transar a três? Com outra mulher?’ Alice respondeu que tinha a fantasia, talvez realizasse um dia. E retribuiu com a pergunta usual: ‘e se eu quisesse transar com você e outro cara? Você toparia?’ E Heitor respondeu sem titubear: ‘não tenho essa fantasia, mas se é a sua eu faria para te agradar’. E Heitor ganhou Penelope. E nunca houve convidado ou convidada. É como eu disse antes, muitas vezes é um jogo. E se mais homens entendessem isso, nosso mundo seria mais feliz, não acham?
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Por Verinha.
Assunto: fantasias