Arquivo para o mês: April, 2008

Cronologia de um jantar suruba.

4 de April, 2008

E eis que descobri que tenho fãs. E melhor, fãs de vida sexual invejável. Me sinto uma Joana Ubalda Ribeiro, e espero mais histórias do querido Leãozinho para publicar meu primeiro livro: ?A casa dos jantares gostosos?. Talvez eu trabalhe melhor nesse título. Divirtam-se.

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Olá, srta Verinha!
Sempre entro por aqui para ler suas histórias, mas eis que recentemente passei por uma que creio que vale a pena ser contada, em sinal de retribuição. Este “causo”, que ficou conhecido como “jantar-suruba”,sucedeu-se no ano passado, quando uma amiga convidou-me para um jantar em sua casa, com alguns outros poucos amigos.

Eu e um amigo chegamos lá, conhecemos o resto do pessoal, conversamos e bebemos enquanto aguardávamos o jantar, que demorou um pouco mas chegou. No jantar, mais bate-papo, mais e mais bebidas e a noite seguia seu curso.

Até que alguém propôs que jogássemos “eu nunca”. Caso você nunca tenha jogado, as regras são muito simples: alguém faz uma afirmação usando o “eu nunca” (como em “eu nunca li o Papo Calcinha”) e então todos os que já fizeram isso (ou seja, todos que já leram o Papo Calcinha) bebem um gole de suas respectivas bebidas. Como você pode perceber as regras são simples. Depois de algumas rodadas, não dá pra esperar que alguém lembre de regras complexas.

Claro que a graça do jogo é fazer as perguntas mais descabidas para ver quem irá tomar mais um gole (mesmo que você já tenha feito, o interessante é encontrar quem “compartilha” isso). Normalmente o jogo começa assim:

- eu nunca jantei na casa de fulano; ou
- eu nunca vi o sol nascer na praia

e termina mais ou menos assim:

- eu nunca tive tesão por ninguém que está aqui; ou
- eu nunca transei no cinema; ou ainda
- eu nunca fiz/recebi fio-terra

Após muito álcool, “eu nunca” e verdades descobertas, alguém sugeriu “verdade ou desafio”. Mais regras simples (não disse que jogo de bêbado é sempre simples? rs): ficam todos em um círculo, roda-se uma garrafa e, de acordo com a posição em que ela pára, uma pessoa irá perguntar e a outra escolhe, antes de ser perguntada, entre responder a verdade ou encarar um desafio.

A graça estava no “desafio” já que a maioria das verdades já haviam sido reveladas no “eu nunca”. O novo jogo foi apenas uma desculpa para “baixar o nível”. Não tardou a aparecer o desafio “beije alguém da roda” e duas das garotas se beijaram (aqui um importante detalhe: todas as 5 garotas eram bissexuais, os 3 caras heteros e um gay). Até aí nada demais, até que os beijos foram ficando mais e mais “calientes” e, a certa hora, a anfitriã sumiu do círculo com uma das garotas.

Com a baixa, alguém surge com outra idéia “genial” de desafio: lap dance (lembra da Natalie Portman esfregando-se no Clive Owen no “Closer” sem ele poder tocá-la? isso é um lap dance). Do lap dance individual (uma pessoa faz e outra recebe) para o lap dance coletivo (uma pessoa recebe e TODAS as outras fazem) foi um pulo e, daí para todo mundo literalmente se pegando foi outro pulo com roupas se perdendo pelo caminho.

As protagonistas eram duas garotas, arrancando suas roupas em uma tremenda pegação. O restante agarrava uma, outra ou as duas, mais roupas no chão e a coisa só esquentava. Até o ápice em que a cena envolvia 3 garotas e 3 caras em uma coreografia erótica, ou melhor, uma “disputa”: para onde quer que se olhasse havia alguém “lutando” com outro alguém por determinada pessoa (ou por determianda(s) área(s) de determinada(s) pessoa(s)).

Aos poucos uma garota saiu da brincadeira (a terceira garota, não as protagonistas) e, pouco depois, eu saí também, pois percebi que o lance era mesmo entre as protagonistas que, a essa altura, pouco se importavam com os coadjuvantes da história.

Apreciando a mis-en-cene e conversando sobre a mesma estávamos eu, a garota recém-saída e o gay (que desde o começo da pegação geral ficou na sua no sofá). Nos perguntávamos quando os outros dois caras iriam perceber que estavam sobrando na brincadeira, apesar de seus esforços com bocas, mãos e afins. Eram solenemente ignorados pela dupla feminina, entretidíssimas entre si até acabarem com a festa (deles) e isolaram-se a dois (ou ?a duas??) em um dos quartos.

Não parecia haver mais muito o que fazer, cada um achou sua roupa, vestiu e fomos todos embora as 7h da manhã de uma quinta-feira. Todos menos a anfitriã e as duas do quarto - é preciso dizer.

Dia seguinte, meu telefone tocou bastante. Meu amigo em “ressaca moral”, culpando o alcóol e certo de que não servia pra esse “tipo de coisa”. Minha amiga-anfitriã comentando que o melhor era que nada daquilo havia sido planejado, decepcionada porque havia perdido o melhor da festa (lembrem-se que ela “sumiu” no meio da noite) e ansiosa por repetirmos a noite maluca. Ainda não repetida.

Quanto a mim? Passei o dia revivendo os acontecimentos daquela noite e refletindo sobre algumas instruções básicas que elaborei para jantares-suruba:

1 - Beba o suficiente para perder os pudores, mas sem perder a memória (chamo isso de estado “fácil”). Você será recompensado quando todos estiverem em ressaca ou amnésia, enquanto você lembra de todos os mínimos detalhes;

2 - Lembre-se que uma suruba é um jogo de poder, onde todos disputam para satisfazer suas próprias vontades. Ou seja, esteja preparada(o) para entrar nessa “briga”, ou apenas assista de camarote;

3 - Perceba se está “sobrando” na cena e, nesse caso, saia de quadro e apenas assista. Respeitar a regra número 1 ajuda a conseguir perceber isso;

4 - Não entre em uma dessas se você pressente que irá ter uma ressaca moral no dia seguinte. Mas se você não tiver pudores, vá em frente e aproveite!

Espero que tenha gostado de ler minha história tanto quanto eu gostei de ler as suas. :)

Beijos,
Leãozinho

Por Verinha.

Assunto: sexo do bom, fantasias, Tudo

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