Ela havia terminado uma longa relação recentemente. Estava emocionalmente abalada mas, naquele momento, sentia falta mesmo era do sexo. Sexo a qualquer hora, sem muitos preâmbulos e com garantia de qualidade.
Mesa no bar do hotel, com colegas de trabalho, onde estavam todos hospedados. Papo vai, caipirinha vem, e aquele tesão reprimido aumentando a cada colega que subia para o quarto. Ficou apenas um. Não se sabe se pela bebida ou pelo tesão, mas ela o imaginava jogando-a na parede, rasgando sua blusa, levantando sua saia. E na mesa do bar, no chão do quarto, ele puxava seu cabelo, mordiscava, falava sacanagem em seu ouvido e metia tudo com força e naquele delicioso balanço. Tudo isso enquanto, sonsa, continuava o papo sobre a cidade, filmes, projetos.
Saíram do elevador. Os quartos eram no mesmo andar, o dela era antes. Despediram-se com aquele beijinho safado que quase escorrega para a boca. Era o último dia dela naquele hotel. Em um rápido segundo, deu-se conta que não havia nada a perder. Chamou-o, ele voltou, ela tascou-lhe um beijo, abriu a porta meio sem jeito, e caíram pra dentro do quarto.
Roupas tiradas apressadamente, muitos beijos, mãos, confusão. O desejo reprimido, somado a raiva das recém-separadas ? tudo prestes a explodir. Ele estava indo bem. Até que parou e a olhou nua. Disse que era linda. Queria fazer tudo com calma, aproveitar cada momento. E começou a beijá-la calmamente. Da boca a ponta do pé, explorando cada detalhe, acariciando cada partezinha. Após frustradas tentativas de mundaça do rumo da coisa, ela ? entediada ? teve uma crise de riso. Ele, aparentemente sem entender muita coisa, disse:
?A maior parte dos homens iria simplesmente te comer loucamente. Eu quero ser diferente, e quero te dar prazer de uma forma especial?.
Ele tinha razão, e a culpada era ela mesma que escolheu o provável único homem errado na hora errada. Ò vida, ó azar. Inferno astral. Burrice. Ausência de capacidade para escolher um homem certo ? seja para amar ou para dar. Passada a crise de riso, ela quis chorar. Mas deixou-o satisfazer seu desejo, afinal já estavam ali. Muitos beijos, carícias e chupadas (se ele ainda chupasse bem…) depois, ele cansou (ou desistiu) e dormiu. Ela chorou. E quando finalmente dormiu, sonhou com um quase estranho que a comia loucamente.
Por Verinha.