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Ela foi!

1 de August, 2008

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o Papo Calcinha é uma reunião de amigas. lindas, inteligentes e sexies. rs…
por isso o post de hoje é de autoria de uma amiga querida, convidada (por enquanto) absoluta e jornalista competente. e carioca, claro! ;)

espero que gostem tanto quanto eu.

Lais Orrico

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(por Camila Barcellos)


Para a casa dele. De mala e cuia, cafeteira italiana, seus livros preferidos, alguns porta-retratos sem os quais seus dias não seriam os mesmos… Trouxe inclusive um quadro de 60×80cm. Afinal… Tinham 01 mês de namoro!

Na primeira semana, ela havia comprado tinta para mudar a cor da parede do escritório, ?laranja é ótimo para ambientes de trabalho?; trocado o mural dele pelo quadro, pois a luminosidade era mais adequada; feito uma lista de tudo o que faltava na dispensa e que ela gostava e me recebido com: ?que ótimo te ter aqui em casa?.

Gargalhei. Não dela, mas de mim. Eu jamais conseguiria com tão pouco tempo de relacionamento - mesmo no auge da paixão e de toda sua deliciosa ?irracionalidade? - dizer ?minha casa?, me sentir tão ?em casa?, por mais maravilhoso e receptivo que ele fosse, por mais bilhetinhos que deixasse espalhados dizendo: ?seja bem-vinda a nossa casa!?. Por mais que antes tivéssemos sido amigos por alguns anos. Obviamente, não seria uma chata, negando ou recusando tamanha demonstração de amor e bem querer… Mas, confesso! Enquanto eu pudesse, evitaria frases com o pronome possessivo da primeira pessoa do plural. Por algum tempo me sentiria uma intrusa. Complexo de inferioridade? De superioridade? Horror à idéia de ter meu espaço invadido? Pânico em cogitar invadir o do outro? Achei que um bom café e umas sessões de terapia talvez me fizessem bem!

Na verdade, só precisei do café. A resposta às minhas perguntas estava clara: Ela não tem medo de errar! Leia-se: ela sabe o que quer. Sabe que tudo é possível. Acertos e tropeços. Mas, antes de considerar o erro, prioriza sua capacidade em fazer dar certo. Foca no que quer e seus ouvidos simplesmente não entendem ?conselhos? de quem já passou por isso. Afinal, esse ?isso? é dela. É único! Ninguém nunca o viveu.

Sem pensar em ser ridícula ou fantástica, perfeita ou humana, apenas ser em toda sua essência comprometida com o seu amar… Aceitar o que o outro lhe estende com as duas mãos e de peito aberto… É tarefa para quem não tem medo de flores, cores, nem amores…

Assunto: Vida nova, Bom conselho, coisas de mulherzinha, Tudo

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O moço da loja.

5 de April, 2008

Hoje acordei só, e minha casa desmoronava. Foram 2 semanas fora e, ao voltar, descobri água aparecendo misteriosamente no chão da cozinha e ao lado da privada, a torradeira não funcionava, o estabilizador queimou, a torneira do chuveiro decidiu não fechar mais ? sabe quando você gira a torneira ao máximo e, ao invés de travar, ela gira de novo?

Xinguei o mundo, respirei fundo, xinguei a mim mesma e acreditei fortemente que era tudo culpa minha: minha tristeza com suas vibrações ruins destruindo tudo a minha volta, só para me lembrar novamente: estou só, me sinto só, e vou precisar consertar tudo só.

Houve um tempo em que minha casa funcionava magicamente, ininterruptamente. Se uma lâmpada queimava, era só dizer ?a lâmpada queimou?, e ao voltar pra casa mais tarde ela acendia novamente. Vai ver meus pais emanavam energia melhor que a minha e por isso aquela casa sempre funcionava. Depois fui agraciada temporariamente pela dádiva da casa perfeita dos arquitetos. Talvez eles saibam construi-la, mas escondem esse segredo somente pra si enquanto exploram nossa ignorância de meros mortais. Quem sabe desfrutei da sorte por tanto tempo, que agora estou fadada à uma vida de vazamentos, entupimentos e infiltrações.

Elza - sempre ela - chegou pra me socorrer e me lembrar que não estou tão só assim. Essa moça que limpa minha casa, organiza minhas bijuterias, arruma minhas roupas por cor e por altura nos cabides, parece saber de tudo. Rapidamente me fez fechar o registro d?água, de cuja existência eu já havia esquecido, e identificou a causa de um dos principais problemas: o encanamento estava repleto da minha ex-cabeleira dos últimos anos. Era tanto cabelo que dava pra fazer uma peruca, e aquele emaranhado ensebado ocasionou meu primeiro sorriso do dia: ?é a prova de que eu me renovo?.

Muito cabelo depois, ainda haviam sinais de entupimento. Madame Elza me pediu um arame maior. Deve haver mais cabelo ao longo da tubulação ? ela disse. Eu, que mal sabia que havia um arame menor na minha casa, lembrei da lojinha ao lado do meu prédio. Um cubículo cheio de objetos não identificados pendurados. Lá fui eu.

Expliquei tudo pro moço escondido atrás daqueles objetos estranhos, e descobri o homem dono de todas as respostas:
?Pra torradeira funcionar, basta trocar o fuzível do estabilizador. Se quiser, traz aqui que eu troco pra você. Já no caso da torneira, você vai precisar de uma chave de grife para abrir e trocar o eixo rotatório que deve estar gasto. Melhor você trazer ele aqui antes para eu ver o diâmetro e te dar outro que encaixe. Compra também soda caústica, e se o arame não der jeito, joga um pouco que ela acaba com tudo no caminho.?

Chave de grife? Eixo rotatório? Onde essas pessoas aprendem isso tudo? E até hoje eu tinha medo de soda cáustica, e jamais compraria pra minha casa. Tantas respostas depois que me deixaram mais feliz, vejo o rosto do moço quando ele veio receber o dinheiro:
?Sabe que, em tanto tempo que você mora aí do lado e eu te vejo ir e vir, é a primeira vez que te vejo sorrindo??

Jura? Meu deus, será que sou tão mal-humorada assim? Me desculpe. Tá bom, sorrio mais, tá bom assim?
Com tanto sorriso, levei de brinde a chave de grife emprestada para tentar tirar o tal do eixo rotatório, após muitas instruções. Mas isso é coisa pra homem. Eu não tenho força. Nem Elza.

Eu sinto falta de alguém pra amar, pra cuidar, pra andar ao meu lado, dividir a vida, ir ao cinema, beijar e transar. E pra fazer por mim tudo aquilo que eu mesma odeio (ou não sei) fazer: resolver problemas mundanos de casa inclusive. Ter alguém que me completa tomou outro significado, mais real, mais palpável, mais terrestre. Acho que é disso que eu preciso.

Amanhã, o moço vem com sua chave de grife arrancar meu eixo rotatório, trocar por um novo e me permitir tomar um banho em paz. Periga eu pedi-lo em casamento. É bom ter cuidado.

Por Claire.

Assunto: Vida nova, coisas de mulherzinha

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Soprei a saudade

27 de September, 2007

(…) Você falou o que eu queria ouvir, me fez sumir no seu abraço, notou detalhes que ninguém nunca ousou notar, tirou minha roupa sem pudor, me levou pra cama. Me pediu pra ficar pra dormir. (…)

Pra minha surpresa, no final das contas, você foi um babaca. Desnecessariamente babaca. Agora tenho motivos concretos pra sumir. Descobri que você lê esta coluna. E que sabe que “Delícia” sou eu. :) Parou de brincar comigo.

Agora minha barriga não dói mais; não penso mais tanto em você. Vai passar.

Afinal, a fila tem que andar! :)

Por Delícia.

Assunto: Dúvida cruel, Vida nova, Bom conselho, Tudo

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Saudades do que já tive.

4 de August, 2007

Quero me apaixonar de novo. Estou de bem com a vida - as feridas de amores antigos já se fecharam, o tempo virou meu aliado e anda sobrando para que eu me dedique a atividades que amo, durmo a noite inteira sem vestígios de crises (a existencial parece ter dado uma trégua), tenho bons amigos, saúde, dinheiro suficiente no bolso. Tá tudo ótimo, a paz voltou a reinar absoluta. Só me falta a emoção. É, acho que cansei da paz.

Sinto saudades do coração batendo forte, das noites perdidas de sono esperando aquele telefonema (ou email, ou SMS nesses tempos multimídia). Divagando se ele está apaixonado também, e de preferência por mim. Sonhando com seu sorriso e achando o máximo algum de seus mais esdrúxulos hábitos ou hobbies. Aquele momento em que serei incapaz de ver defeitos, e tudo que vou desejar é que ele me ligue no meio da noite para horas de bate-papo. O primeiro fim de tarde na praia, o primeiro por do sol, passeios de mão dadas, sorvete de casquinha, pipoca no cinema e horas que passam desapercebidas. Beijo na boca com frio na barriga. A paixão surgindo a cada gesto, toques capazes de arrepiar um corpo inteiro. A vontade de estar junto que chega a sufocar. Meus amigos implorarão para que eu mude o assunto, mesmo achando tudo lindo.

Não é amor o que estou procurando. Não quero o que me preencha de felicidade e me deixe segura de mim, feliz, serena e completa. Quero o que me tire do sério, do meu sono tranquilo e me encha de dúvidas - só para depois ter o gostinho de esclarecer tudo com um olhar. Quero oscilar entre a felicidade extrema e a angústia interminável. Emoções intensas.

Só me falta encontrar o objeto de tanto desejo, no meio de tanta gente chata sem nenhuma graça. Confesso que não sei onde procurar e a verdade é que não me apaixono tão facilmente. Não basta gostar de mim, ser bonito, inteligente, bem sucedido e atencioso comigo. Fica faltando o fator surpresa, e eu me desinteresso. Muito menos basta me achar bonita em uma noite de bar, entre cervejas e sorrisos, e me tratar como trataria qualquer outra bonita que aparecesse. Para esses, eu mal olho. Por vezes, quase encontro um ? inteligente, interessante, divertido, culto, mas aí falta a atração física. Há quando sinto os primeiros sintomas da paixão, e a falta de reciprocidade acaba com tudo. E por último, tem os casos em que falta algo que nem eu sei nominar. Uns vêm, outros vão, e eu continuo aqui desejando o que não tenho, ansiando por algo que nem sei bem o que é.

Talvez eu esteja virando refém do meu próprio desejo, desejando tanto a emoção e esquecendo que ela precisa de alguém de carne e osso para fluir. Mas ainda acredito que minha hora irá chegar. De novo. E borboletas voarão no meu estômago, meus joelhos tremerão, a paz sairá momentaneamente de cena da minha vida. Só para depois eu a desejar intensamente de volta, acompanhada da sorte de um amor tranquilo com sabor de fruta mordida, transformando o tédio em melodia . Como dizia um grande poeta amigo meu.

Marisa Monte - Não vá embora
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Cazuza - Todo amor que houver nessa vida
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Por Claire.

Assunto: Trilha Sonora, Vida nova, coisas de mulherzinha

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Na balança, saudades.

17 de July, 2007

Tenho que colocar na balança. Essa hora chegou. O que pesa mais? O que é mais importante? Ser enlouquecidamente feliz enquanto estamos juntos ou a dor que sinto no estômago quando estamos separados? Há alguns anos, sofreria sem pensar duas vezes. Hoje, acho que já chegou a hora de me respeitar mais. Sonho com você e acordo com vontade de sonhar de novo. De não parar de sonhar, na verdade. Você foi meu ideal quando a gente se reencontrou. Falou o que eu queria ouvir, me fez sumir no seu abraço, notou detalhes que ninguém nunca ousou notar, tirou minha roupa sem pudor, me levou pra cama. Me pediu pra ficar pra dormir. Era muito bom pra ser verdade. Fiquei encantada, deslumbrada.

Afinal, que tipo de homem é você? Um homem raro ou o mais comum deles? Um cavalheiro por princípios ou um conhecedor da alma feminina que usa seu poder pra ocultar sua insegurança?  Seria bem mais fácil se fosse um babaca. Eu teria motivos concretos pra sumir, mas não… você escorrega pelos meus dedos sempre com muito jeito, muito gentil, sem nunca ter me iludido. Assim é tão difícil! Você não sabe disso? Não faz isso, não. Não brinca assim comigo.

Por Delícia.

Assunto: Dúvida cruel, Vida nova, Girl Power, Tudo

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Aprendendo a ser a caça

18 de June, 2007

Num momento em que a vida se mostra de frente, cheia de possibilidades inesperadas, responsabilidades solitárias, buracos bem escuros, sorrisos abertos, carrancas, dúvidas, dívidas, surpresas, frios na barriga, noites em claro, risadas escandalosas, elogios, me volto pra o que realmente me faz feliz. Descobrir o que realmente me faz feliz. Deixo um pouco o shopping de lado pra encarar o simples da vida. Brincar com filhos, ver o mar bem quietinha, tomar cervejinhas, dar boas risadas, ficar muito bem acompanhada. Rir de coisas bobas, encarar o desconhecido, querer mais. Reconhecer meu ritmo e conhecer o ritmo do outro. Entender o querer do outro. Respeitar seu tempo. Saber trocar e não mandar. Pra mim, coisas bem complicadas, mas absolutamente necessárias pra uma relação feliz, profunda, cúmplice. Já experimentei o contrário e sei que não funciona. Na fase do respeito ao tempo, me seguro alucinadamente pra não ligar, mandar mensagens, viver um dia depois do outro. Tudo muito lento e pensado pro meu ritmo, mas vamos nessa. Muita terapia! Aliás, a revista Vida Simples deste mês traz uma matéria ótima sobre Terapia em foco: ?Quando percebemos que não conseguimos mais lidar com nossas dificuldades e que precisamos de ajuda, a saída pode estar na terapia, um caminho surpreendente de autodescoberta?. Recomendo ambas - a revista e a terapia.

Por Delícia.

Assunto: Vida nova

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