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O amor tem feito coisas…

24 de Novembro, 2007

“… Que até mesmo Deus duvida
Já curou desenganados
Já fechou tanta feridaaaa…”

Já dizia Ivan Lins. E nossas avós e bisavós e tataravós.
Quero convidá-las, amigas calcinhas leitoras, a contar suas pequenas loucuras por amor ou mesmo por uma paixão. Quem nunca se viu em uma situação esdrúxula e perguntou-se: “como eu vim parar aqui?”, para logo em seguida suspirar: “ah, o amor…”

Pra esquentar a brincadeira, vou listar aqui algumas situações que já observei ou mesmo vivi:

  1. Mulher apreciadora de futebol e torcedora do fluminense, sentada com a torcida do Flamengo em pleno Maracanã! (vale dizer que coube uma regra pertinente: em caso de jogo do flamengo contra o fluminense, assiste-se em separado!!)
  2. Subir na garupa totalmente elameada do amado que acaba de voltar de uma trilha de moto, após horas de espera em pé e no frio, só porque ele acha super sexy ela naquela garupa agarradinha a um super campeão que, no caso, é ele mesmo.
  3. Imagine uma mulher super vaidosa, totalmente perua – ritual de cremes de beleza, roupas de grife, salto 10 estilo agulha, maquiagem e escova japonesa. Transporte-a para um boteco de quinta categoria, imagine-a sentada em um engradado de cerveja bebendo uma skol na latinha e apreciando uma bolinha de queijo de garfo e faca, do alto de sua pose. Aaaaaaaah, mas é aniversário do melhor amigo dele, e até que é legal aqui… O banheiro é até mais limpinho do que eu imaginava ;-)
  4. Passar horas sentada sozinha na areia da praia, em dia nublado. Não dá para ler um livro porque, volta e meia, chuvisca. Quando a chuva aperta, o negócio é correr para a barraquinha de teto de palha, se enrolar na canga, e torcer para as ondas não crescerem muito nesse momento. Namorada de surfista sofre, e essa categoria certamente tem várias histórias pra contar!
  5. Roqueira de carteirinha, de Queen a Sepultura, assistindo ao show do irmãozinho pagodeiro do amado na birosca que alguém chamou de casa de show. Aaaaaah, mas estamos felizes porque ele finalmente está se dedicando a algo, e precisamos dar uma força! (essa merece um prêmio!!)

Ah, l’amour… Tão lindo e tão enlouquecedor de mentes :) Estou esperando novas histórias!!

Por Claire.

Assunto: Trilha Sonora, Nosso louco amor

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Entre sachês, vestidos e paletós.

5 de Novembro, 2007

Minha querida calcinha-cultural Laís, inspirada pelo filme, andou escrevendo sobre o passado. Marimari, a secretária-do-lar mais cool dessa tal de internet andou se inspirando em Chico, e a desordem de seu armário embutido, para dar valiosas dicas sobre cabides. Elas não sabem (ainda), mas juntas criaram um ambiente que fez com que me fosse impossível não escrever esse artigo.

Eu explico. Em um passado que, ora me parecia tão distante, meu vestido era abraçado por um paletó, felizes na desordem do armário embutido. Criaram juntos sua história, até que chegou a hora de uma inevitável separação. Chico Buarque parecia estar nos assistindo sorrateiramente quando escreveu a letra de “Eu te amo”. Foram dias sofridos. Passaram-se entre conversas recheadas de boas lembranças, momentos de ‘luto’ pelo fim do que parecia tão belo, e seguidas frustradas tentativas de reconciliação. A cada frustração, uma nova mágoa, um pouco mais da certeza de que foi bom enquanto durou, mas já não era mais a mesma coisa. Não valia mais a pena lutar, e mágoas foram guardadas, palavras não foram ditas, e mentiras sinceras interessavam.

Passou-se o tempo. A história de amor e separação parecia ter ficado no passado, dando espaço para um presente de muito carinho e amizade. Seguíamos caminhos diferentes, mas ainda confiávamos, vez ou outra, nossos olhos e pernas um ao outro, perguntando para onde ir, e como ir. Havia um laço que não queríamos romper, insistiamos em mantê-lo mesmo que cada vez mais fraco, pois nos trazia uma sensação de segurança e conforto. Até que o passado voltou à tona, de forma arrebatora, despertado por um ato aparentemente inofensivo. Palavras guardadas foram ditas, as mentiras sinceras foram questionadas, feridas foram re-abertas. O passado não parecia mais tão passado assim, e engolia o presente. Com a explosão, o fraco laço finalmente rompeu-se. Mas de forma abrupta e dolorida.

O passado não some, não desliga, não desaparece, mas passa – mesmo que devagar. E ao passar deve ter como destino final um remoto cantinho do novo armário embutido, como um sachê. Você sabe que ele está ali, sente seu cheiro predominante, carrega um pouco consigo em suas roupas, faz do agradável odor sua inspiração para um novo dia. Outros dias. E tantos dias depois, aquele odor já não será mais tão perceptível, estará misturado a outros novos odores, novas inspirações, novos pedacinhos de passado deixados ali.

O importante é que cada parte do nosso passado seja empacotada em um único sachê que, no momento certo, terá sua fita cortada e laçada. É impossível recomeçar do zero, os odores se misturam. Mas cada sachê pode ser iniciado após o outro, sem riscos de nos sentirmos subitamente inebriados por um odor predominante e reincidente, ainda solto por aí. E no futuro, quem sabe novos laços possam formar-se entre quase inodoros sachês do remoto passado.

Finalmente, cortei a fita e dei o laço final em um sachê que teimava em permanecer entre-aberto. E agora, me sinto preenchendo em paz um único sachê aberto, mesmo que ainda sob a influência do cada vez mais suave odor anterior.

E Papo Calcinha também é auto-terapia. Que nossos armários embutidos se encham de sachês, completos e indivisíveis, e que o odor final seja cada vez mais agradável.

Deixo vocês com a letra de Chico - esse homem dotado de indescritível talento para transformar em lindos versos os mais confusos tormentos e alegrias de nossa’lma humana, além de dono de grande charme :)

‘Eu te amo’ – Chico Buarque

Ah, se já perdemos a noção da hora
Se juntos já jogamos tudo fora
Me conta agora como hei de partir
Se ao te conhecer, dei pra sonhar, fiz tantos desvarios
Rompi com o mundo, queimei meus navios
Me diz pra onde é que inda posso ir
Se nas travessuras das noites eternas,
Já confundimos tanto as nossas pernas
Diz com que pernas eu devo seguir
Se entornaste a nossa sorte pelo chão
Se na bagunça do teu coração
Meu sangue errou de veia e se perdeu
Como, se na desordem do armário embutido
Teu paletó enlaça o meu vestido
E o meu sapato inda pisa no teu
Como, se nos amamos feito dois pagãos
Meus seios inda estão nas suas mãos
Me explica com que cara eu vou sair
Não, acho que estás me fazendo de tonta
Te dei meus olhos pra tomares conta
Agora conta como hei de partir

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Por Claire.

Assunto: Trilha Sonora, Bom conselho

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Saudades do que já tive.

4 de Agosto, 2007

Quero me apaixonar de novo. Estou de bem com a vida - as feridas de amores antigos já se fecharam, o tempo virou meu aliado e anda sobrando para que eu me dedique a atividades que amo, durmo a noite inteira sem vestígios de crises (a existencial parece ter dado uma trégua), tenho bons amigos, saúde, dinheiro suficiente no bolso. Tá tudo ótimo, a paz voltou a reinar absoluta. Só me falta a emoção. É, acho que cansei da paz.

Sinto saudades do coração batendo forte, das noites perdidas de sono esperando aquele telefonema (ou email, ou SMS nesses tempos multimídia). Divagando se ele está apaixonado também, e de preferência por mim. Sonhando com seu sorriso e achando o máximo algum de seus mais esdrúxulos hábitos ou hobbies. Aquele momento em que serei incapaz de ver defeitos, e tudo que vou desejar é que ele me ligue no meio da noite para horas de bate-papo. O primeiro fim de tarde na praia, o primeiro por do sol, passeios de mão dadas, sorvete de casquinha, pipoca no cinema e horas que passam desapercebidas. Beijo na boca com frio na barriga. A paixão surgindo a cada gesto, toques capazes de arrepiar um corpo inteiro. A vontade de estar junto que chega a sufocar. Meus amigos implorarão para que eu mude o assunto, mesmo achando tudo lindo.

Não é amor o que estou procurando. Não quero o que me preencha de felicidade e me deixe segura de mim, feliz, serena e completa. Quero o que me tire do sério, do meu sono tranquilo e me encha de dúvidas - só para depois ter o gostinho de esclarecer tudo com um olhar. Quero oscilar entre a felicidade extrema e a angústia interminável. Emoções intensas.

Só me falta encontrar o objeto de tanto desejo, no meio de tanta gente chata sem nenhuma graça. Confesso que não sei onde procurar e a verdade é que não me apaixono tão facilmente. Não basta gostar de mim, ser bonito, inteligente, bem sucedido e atencioso comigo. Fica faltando o fator surpresa, e eu me desinteresso. Muito menos basta me achar bonita em uma noite de bar, entre cervejas e sorrisos, e me tratar como trataria qualquer outra bonita que aparecesse. Para esses, eu mal olho. Por vezes, quase encontro um – inteligente, interessante, divertido, culto, mas aí falta a atração física. Há quando sinto os primeiros sintomas da paixão, e a falta de reciprocidade acaba com tudo. E por último, tem os casos em que falta algo que nem eu sei nominar. Uns vêm, outros vão, e eu continuo aqui desejando o que não tenho, ansiando por algo que nem sei bem o que é.

Talvez eu esteja virando refém do meu próprio desejo, desejando tanto a emoção e esquecendo que ela precisa de alguém de carne e osso para fluir. Mas ainda acredito que minha hora irá chegar. De novo. E borboletas voarão no meu estômago, meus joelhos tremerão, a paz sairá momentaneamente de cena da minha vida. Só para depois eu a desejar intensamente de volta, acompanhada da sorte de um amor tranquilo com sabor de fruta mordida, transformando o tédio em melodia . Como dizia um grande poeta amigo meu.

Marisa Monte - Não vá embora
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Cazuza - Todo amor que houver nessa vida
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Por Claire.

Assunto: Trilha Sonora, Vida nova, coisas de mulherzinha

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O som da alma

27 de Julho, 2007

O amor é realmente uma coisa díficil de se definir ou se entender. Eu passei 30 anos da minha vida, sem entender muito bem o que era amor. E mesmo hoje, tenho só uma vaga compreensão. A gente reconhece a sua forma, em carinhos e atenção desde que nascemos, mas entender o seu signficado são outros quinhentos. Na verdade, acho que o amor é algo tão etéreo que é quase impossível realmente definir o seu signficado. E é aí que entra a importância da música em nossas vidas. Quem não teve uma “trilha sonora de depressão” na adolescência? Ou revive lembranças fortes ao ouvir uma determinada música? Começo a achar que a música é realmente a única forma de expressar nossos complexos sentimentos. É poesia com ritmo. É a harmonização das batidas do coração com nossos pensamentos.

Eu hoje passo por um paradoxo. Estou apaixonada, amando, mas estou longe do meu amado. E por que eu decidi assim. Não estamos separados, apenas vivendo momentos diferentes e nos reencontrando sempre que possível. A vida tem dessas ironias. Mas apesar da minha escolha consciente, a saudade é difícil e a vontade de desistir do novo caminho às vezes é grande.E só a música é capaz de traduzir os sentimentos contraditórios que carrego no peito. Cantores e músicos (os bons pelo menos) conseguem passar grandes emoções com uma nota ou uma palavra apenas. Eu sinto arrepios toda vez que ouço Damien Rice dizer que “can´t take my eyes of you”*. Meu coração palpita com Harry Connick confessando que “it had to be you”. E Elis Regina tem o poder de me dar um arrepio na espinha quando fala daquele bandaid no calcanhar…

Então, para todos os amantes do mundo, e em especial para o meu amado, segue uma trilha sonora. Estejam vocês juntos ou separados, felizes ou sofrendo, solitários ou agarradinhos, a música é capaz de ajudar a tornar qualquer momento único. Enjoy!

Shania Twain -You´re still the one
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Harry Connick - Our love is here to stay

10.000 Maniacs - More than this

Adriana Calcanhoto - Metade

Cássia Eller - Meu mundo ficaria completo

Por Charlote 

Assunto: Trilha Sonora, Nosso louco amor

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