Karma
28 de June, 2007
Pepê e Claire já escreveram seus posts com “a trip down memory lane” (adoooro essa expressão!
). E como isso parecece ser terapêutico, estou carimbando meu passaporte agora e me juntando a elas nessa viagem.
Acho que fui o primeiro amor dele. Sei que ele foi o meu. Mas só de uma coisa eu tenho certeza, sou feliz por ter este karma na minha vida.
Conheci Karma ainda nova, pirralha. Foi paixão à primeira vista. Nos avistamos rápido e nos conhecemos (e reconhecemos) mais rápido ainda. Um desconhecido num dia era a minha compania preferida no outro. O primeiro beijo demorou. Afinal, éramos os dois pirralhos. Tivemos vários treinos antes com beijinhos de despedida que escorregavam da bocheca pro cantinho da boca… Mas quando rolou, foi bem gostoso. Lembro dos detalhes até hoje.
Karma quis me namorar. Eu também queria. Mas o meu destino tem essa tendência à um humor meio macabro e eu simplemente não entendi quando Karma me pediu pra namorar. Claro que isso gerou uma confusão. Karma achava que era meu namorado e eu achava que Karma era um ficante. Nosso começo de caso terminou assim, rápido, sem eu nem entender direito o que tinha acontecido. Mas não sem direito à uma cena digna de cinema, comigo voltando correndo para Karma e tascando-lhe um beijo de despedida. Começou assim o meu caso mal-resolvido.
Karma arrumou uma namorada (essa sabia que era namorada dele). Eu segui minha vida. Mas nunca deixamos de nos encontrar, nos falar, nos gostar. Virei uma pessoa especial na vida do Karma e Karma na minha. Trocavamos cartas, telefonemas constantes e de vez em quando arriscavamos dizer um pouco do que ainda sentíamos.
Mas o tempo foi passando e eu também arrumei um namorado. Muita coisa na minha vida mudou, mas Karma sempre foi uma constante. Anos se passaram até que nós estivessemos no mesmo momento emocional. Terminei com meu namorado e fiquei com Karma. Mas mais uma vez não éramos namorados, éramos um caso. Um caso que foi muito bom enquanto durou, mas a verdade é que durou pouco. Eu fui aproveitar a minha recém-adquirida solteirice e Karma também partiu pra outros lados.
Mas mesmo assim continuavamos sendo NÓS - um NÓS que nunca foi um casal mas que era de um jeito só nosso. Karma teve muitas mulheres, mas tenho certeza de que nenhuma como eu. O inverso também é verdadeiro (apesar do meu número ser bem menos expressivo…). Karma tinha ciúmes quando me via com outro e eu mal conseguia olhar quando Karma estava com outra.
Mais primaveras, outonos e verões se passaram. Karma arrumou uma nova namorada, desta vez bem séria. Mas neste época voltamos a ser casinho. Encontravamo-nos sempre durante a semana, a namorada Karma só via no finde. Eu era “a outra”, mas pra mim isso nunca teve uma conotação ruim. A namorada é que chegou no meio da nossa história. E essa situação foi ótima durante um bom tempo. Mas como não podia ser diferente conosco, eu arrumei um namorado. E ao contrário de Karma, eu não conseguia (e não queria) gerenciar a situação de manter as duas histórias. Karma foi posto de lado novamente. Sei que Karma não se importou com isso. Não que Karma não gostasse de mim, mas à essa altura NÒS dois já entendiamos a essência da nossa história. E de qualquer modo, sempre mantivemos a nossa (maravilhosa) amizade.
Num breve período em que fiquei separada do namorado, saímos uma vez. Mas eu tinha amadurecido e aquela história de “outra” já não se encaixava mais na minha vida. Disse isso pra Karma com sinceridade, Karma entendeu e foi alí o nosso último beijo.
E embora nossos corpos estejam separados já faz tempo, nossas mentes e almas continuam unidas. Não perdemos contato, apesar dele ter ficado mais raro. Penso em Karma de vez em quando e sei que Karma também pensa em mim.
Eu não acredito em almas gêmeas e também não acho que haja apenas um parceiro ideal para cada pessoa nessa vida. Portanto, eu achei o meu parceiro e Karma achou a parceira dele. Hoje, já mais madura, não penso nessa história como um caso mal-resolvido. Na verdade, ainda não sei muito bem dizer o que é nossa história. Eu sou feliz com a minha vida. Karma é feliz com a dele. Não há mágoas ou arrependimentos. Mas me pergunto se nos encontraremos em algum momento no futuro. Ou será que tudo isso foi só uma história de adolescência? São apenas perguntas, nada mais. Só o tempo poderá respondê-las.
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por Thaty Azul
Assunto: Memory Lane, Nosso louco amor