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O que me faz amar um homem?

7 de Julho, 2008

(texto de Ailin Aleixo retirado - literalmente - de uma revista e digitado aqui em uma homenagem à dicotomia feminina e a nossa busca de explicação para tudo)

Só ser desejada de nada adianta: quando acaba o suadouro, o que resta? 

Eu realmente acreditava que o que me fazia amar um homem era a inteligência. Elucubrações e digressões me impressionavam. Conhecimentos literários, artísticos, práticos seduziam a eterna adolescente em mim. Mas descobri que não era isso que me fazia amar: de nada adianta um cérebro invejável, citações brilhantes, se ele não rir das próprias besteiras, se não souber aproveitar as delícias do ócio de um sábado quente. Então percebi: bom humor era essencial.

É delicioso estar com alguém que vive sem arrastar correntes e faz dos pequenos horrores cotidianos inevitáveis piadas. Só que nem tudo é uma piada e, em certas horas, quero alguém que me conforte a alma. Nesses momentos, nada pior do que ser levada na brincadeira - existe uma imensa diferença entre a alegria de viver e a recusa a sair da infância. Então fui invadida pela certeza de que o que me fazia amar alguém era, antes de tudo, a sensibilidade.

Telefonemas de bom-dia, olhares que vêem, pequenos gestos incontidos - tudo o que eu podia querer. Ou quase. Só sobrevive ao meu lado alguém que grite comigo quando eu passar dos limites do bom senso, demonstre desagrado quando eu exigir demais e oferecer de menos. Preciso ser cuidada, mas preciso da certeza de estar com um homem de verdade e não com um moleque preso no complexo de Peter Pan. Quero ser domada, tomada.

Nem inteligência, bom humor ou sensibilidade me faziam amar alguém. Talvez fosse virilidade.

Mal abrir a porta da sala e ser consumida por beijos. Ter a roupa arrancada no caminho da cozinha. Ser desejada com urgência é um dos maiores elogios que uma mulher pode receber, mas só ser desejada de nada adianta: quando acaba o suadouro, o que resta? Se o que interessa é a movimentação, tudo bem. Mas se existe a possibilidade de ser esmagada pelo vazio de sentido após o orgasmo, de nada vale. Pelo menos se não vier acompanhado de cuidado, carinho. Pensei, então, que ele seria a pedra fundamental pra despertar meu amor. Mas carinho é um sentimento abrangente demais: nos invade desde a visão de um cachorro abandonado até a palavra confortadora de um desconhecido.

Um dia, cansei de tentar adivinhar. E, nesse dia, após tantas enumerações paralisadoras e neuróticas, descobri. Hoje sei exatamente o que me faz amar um homem: o amor existir.

Quando é necessário justificá-lo, procurá-lo, racionalizá-lo, é sinal de que ele não está ali.

Simples assim.

Assunto: Bom conselho, Nosso louco amor, coisas de mulherzinha, Tudo

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Dos apelidos carinhosos e universos particulares.

10 de Fevereiro, 2008

Carmen sempre foi Carmen e Eduardo era Eduardo, as vezes Duda, talvez Dudu. Se encontraram, e Carmen virou “Carmencita de mi corazón”, Carmencita, Sita, e não demorou muito para metamorfosearem-se em Sitos – praticamente uma espécie a parte que, como qualquer outra, prolifera-se. E o mundo tornou-se habitat natural para duas novas, pequenas e fofas Sitas.

Bruno vagava Bruno por aí até encontrar Fernanda, que era Fê e também Nanda. Não se sabe bem como ou porquê, mas foram criando um jeito próprio de ser dois e de ser um, até virarem Sr. Búco e Sra. Búca – o único casal Búco de que se tem notícia, inimitável e incomparável.

Alexandre e Alessandra se conheciam desde sempre, mas só quando começaram a namorar viraram Pititicos, depois Piticos e finalmente Pit – o amor aumenta e a preguiça também. E pela harmonia desses dois, acho que ainda viram somente P, e depois… Bem, talvez voltem a Pititicos e começem tudo de novo, só pelo gosto de apaixonarem-se mais uma vez.

Diana e Wagner, vez ou outra, incorporam Betsy e Johnny - apaixonados amantes de alcova que adoram brincar de pirulito-que-bate-bate, outra criação a dois. No entanto, há que tomar-se cuidado com apelidos de alcova. Se no amor e entre quatro paredes, nada é brega e o ridículo não existe, quando tornados públicos apelidos como Beicinho de flamboesa, Biquinho de côco ou Moranguito-vermelhitito podem virar motivo de chacota nas rodas de amigos. Ainda assim, vale a pena. É preciso saber rir de si mesmo.

O casal Léo e Dani sabe bem disso e, apesar de serem Dani e Léo na maior parte do tempo, volta e meia são também Patetas um do outro – rindo cada um de si mesmo, mas ainda mais um do outro. Talvez seja esse o segredo, e acredito que Letícia e Bernardo apostaram na mesma fórmula ao descobrirem-se os Bizungos – apelido um tanto estranho para um casal cheio de graça e um tanto mais apaixonado. Outra prova de que amor e bom humor combinam são os já 33 anos em que Dora é a Madame - ora entre risos, ora com uma pontada de irritação - de seu eterno amor Wan. E amor que é amor de verdade sempre irrita, se não hoje, certamente depois de mais de três décadas.

São muitos os amores que adoram criar moda, mas não deixemos de lado os que optam pelo simples, e nem por isso amam menos. No caso de Andreas e Aline, casal franco-brasileiro nascido em terras britânicas, as circunstâncias ajudaram e tornaram-se simplesmente Namorada e Petit Ami, só porque acham um charme o sotaque um do outro. Já Érica, Sabrina, Denise, Viviane e tantas outras são Paixão, Amor, Mô, Môzinho, Bem ou Bemzinho, provando que nem sempre é preciso ser excêntrico ou original - o olhar, o tom de voz, o charme e a sinceridade do chamar de seus Marcos, Pedro, Renato e André são mais que suficientes para torná-los únicos, especiais e perfeitamente simplórios.

Simples e minimalistas, Isabela vira Lindinha, Juliana é Juzinha, Mariana adora ser Marizinha e Eduarda há muito é Dudinha. E parece que, se para as mulheres um bom diminutivo é sempre mais, entre os homens o negócio é mesmo o bom e velho superlativo. Walter chama minha-lindinha-bonitinha-e-gostosinha só pra ouvir de volta o meu-lindão-bonitão-e-gostosão. Rafael, do alto de seus 1.95m de altura, sempre se soube grande, mas sente-se um gigante com super poderes a cada vez que ouve sua esposa chamá-lo “Meu Grandão” – nem tão original mas não menos perfeito. Marcelo vira um orgulhoso Celão, Rodrigo transforma-se em um viril Digão, Alberto adora ser ‘meu Betão’ e até Ricardo vira Ricardão.

Originais ou não, excêntricos ou nem tanto, fato incontestável é que os apelidos e brincadeiras fazem parte do universo particular, paralelo e alheio ao redor que cada casal cria pra si. Que o mundo seja cada vez mais preenchido por esses pequenos universos, e que sejam todos exagerados, cafonas, bregas, piegas, melosos, carentes de vergonha, transbordados de amor e sem a mínima intenção de fazer sentido. Sejamos todos felizes.

Por Claire.

Assunto: Nosso louco amor

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O amor tem feito coisas…

24 de Novembro, 2007

“… Que até mesmo Deus duvida
Já curou desenganados
Já fechou tanta feridaaaa…”

Já dizia Ivan Lins. E nossas avós e bisavós e tataravós.
Quero convidá-las, amigas calcinhas leitoras, a contar suas pequenas loucuras por amor ou mesmo por uma paixão. Quem nunca se viu em uma situação esdrúxula e perguntou-se: “como eu vim parar aqui?”, para logo em seguida suspirar: “ah, o amor…”

Pra esquentar a brincadeira, vou listar aqui algumas situações que já observei ou mesmo vivi:

  1. Mulher apreciadora de futebol e torcedora do fluminense, sentada com a torcida do Flamengo em pleno Maracanã! (vale dizer que coube uma regra pertinente: em caso de jogo do flamengo contra o fluminense, assiste-se em separado!!)
  2. Subir na garupa totalmente elameada do amado que acaba de voltar de uma trilha de moto, após horas de espera em pé e no frio, só porque ele acha super sexy ela naquela garupa agarradinha a um super campeão que, no caso, é ele mesmo.
  3. Imagine uma mulher super vaidosa, totalmente perua – ritual de cremes de beleza, roupas de grife, salto 10 estilo agulha, maquiagem e escova japonesa. Transporte-a para um boteco de quinta categoria, imagine-a sentada em um engradado de cerveja bebendo uma skol na latinha e apreciando uma bolinha de queijo de garfo e faca, do alto de sua pose. Aaaaaaaah, mas é aniversário do melhor amigo dele, e até que é legal aqui… O banheiro é até mais limpinho do que eu imaginava ;-)
  4. Passar horas sentada sozinha na areia da praia, em dia nublado. Não dá para ler um livro porque, volta e meia, chuvisca. Quando a chuva aperta, o negócio é correr para a barraquinha de teto de palha, se enrolar na canga, e torcer para as ondas não crescerem muito nesse momento. Namorada de surfista sofre, e essa categoria certamente tem várias histórias pra contar!
  5. Roqueira de carteirinha, de Queen a Sepultura, assistindo ao show do irmãozinho pagodeiro do amado na birosca que alguém chamou de casa de show. Aaaaaah, mas estamos felizes porque ele finalmente está se dedicando a algo, e precisamos dar uma força! (essa merece um prêmio!!)

Ah, l’amour… Tão lindo e tão enlouquecedor de mentes :) Estou esperando novas histórias!!

Por Claire.

Assunto: Trilha Sonora, Nosso louco amor

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O som da alma

27 de Julho, 2007

O amor é realmente uma coisa díficil de se definir ou se entender. Eu passei 30 anos da minha vida, sem entender muito bem o que era amor. E mesmo hoje, tenho só uma vaga compreensão. A gente reconhece a sua forma, em carinhos e atenção desde que nascemos, mas entender o seu signficado são outros quinhentos. Na verdade, acho que o amor é algo tão etéreo que é quase impossível realmente definir o seu signficado. E é aí que entra a importância da música em nossas vidas. Quem não teve uma “trilha sonora de depressão” na adolescência? Ou revive lembranças fortes ao ouvir uma determinada música? Começo a achar que a música é realmente a única forma de expressar nossos complexos sentimentos. É poesia com ritmo. É a harmonização das batidas do coração com nossos pensamentos.

Eu hoje passo por um paradoxo. Estou apaixonada, amando, mas estou longe do meu amado. E por que eu decidi assim. Não estamos separados, apenas vivendo momentos diferentes e nos reencontrando sempre que possível. A vida tem dessas ironias. Mas apesar da minha escolha consciente, a saudade é difícil e a vontade de desistir do novo caminho às vezes é grande.E só a música é capaz de traduzir os sentimentos contraditórios que carrego no peito. Cantores e músicos (os bons pelo menos) conseguem passar grandes emoções com uma nota ou uma palavra apenas. Eu sinto arrepios toda vez que ouço Damien Rice dizer que “can´t take my eyes of you”*. Meu coração palpita com Harry Connick confessando que “it had to be you”. E Elis Regina tem o poder de me dar um arrepio na espinha quando fala daquele bandaid no calcanhar…

Então, para todos os amantes do mundo, e em especial para o meu amado, segue uma trilha sonora. Estejam vocês juntos ou separados, felizes ou sofrendo, solitários ou agarradinhos, a música é capaz de ajudar a tornar qualquer momento único. Enjoy!

Shania Twain -You´re still the one
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Harry Connick - Our love is here to stay

10.000 Maniacs - More than this

Adriana Calcanhoto - Metade

Cássia Eller - Meu mundo ficaria completo

Por Charlote 

Assunto: Trilha Sonora, Nosso louco amor

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Todas nós precisamos de um cachorro coberto de lama

22 de Julho, 2007

Creio que uma das melhores coisas que aprendemos quando amadurecemos, é saber quais batalhas lutar. E isso vale para relacionamentos também. Aprendemos que certas brigas simplesmente não valem a pena.

Quantas vezes você já teve brigas com seu amor que, depois de feitas as pazes, você não se lembra o motivo? Nestes casos, na maioria das vezes quela briga não ajudou a melhorar nada no seu relacionamento. Só serviu para causar stress. E para desperdiçar tempo valioso. Mas pior que desperdiçar este tempo, é não aprender nada com isso.

Certa vez eu estava numa calorosa discussão com meu marido. Era uma dessas brigas que, na hora do sangue quente, você acha que vai definir tudo no relacionamento. As vozes estavam se elevando e a coisa estava ficando feia, até que… Splosh! Splosh!

- Que barulho é esse?

- Splosh! Splosh!

- O que é isso? O que esse cachorro conseguiu aprontar agora?

A briga parou naquele momento. Fomos eu e meu marido ver o que o cachorro estava aprontando. Nosso cachorro tem um grande talento para fazer besteiras… A gente tinha que verificar o que ele tinha aprontado desta vez.

Ao sair de casa, todo o clima pesado da briga se dissipou imediatamente! Nós tinhamos esquecido a torneira da mangueira aberta e tinha uma enorme poça de lama no quintal. O cachorro, provavelmente convencido que tinha algum tesouro escondido ali (ou um osso :), deu de cavar na poça de lama. Ele, que é branco, estava com as quatro patas cobertas de lama quase até em cima e com o focinho totalmente marrom. Quando nos viu, ele ficou todo feliz e abriu um enorme sorriso pendurando a língua comprida do lado da boca. Era uma imagem cômica. Nos desarmou completamente.

Se você me perguntar hoje, eu não consigo me lembrar de jeito nenhum do motivo da briga. Eu que, naquele momento, achava aquela discussão tão fundamental. Desde então, penso duas vezes antes de comprar alguma briga. E um bom truque é, na hora que a cabeça esquentar, lembrar do meu cachorro coberto de lama e sorrindo pra mim. Na maoiria das vezes, o cachorro coberto de lama parece mais interessante do que a briga :). E é por isso que eu digo: para um bom relacionamento, todas nós precisamos de um cachorro sorridente coberto de lama! :D

Por Charlote 

Assunto: Bom conselho, Nosso louco amor

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Karma

28 de Junho, 2007

Pepê e Claire já escreveram seus posts com “a trip down memory lane” (adoooro essa expressão! :) ). E como isso parecece ser terapêutico, estou carimbando meu passaporte agora e me juntando a elas nessa viagem. :)

Acho que fui o primeiro amor dele. Sei que ele foi o meu. Mas só de uma coisa eu tenho certeza, sou feliz por ter este karma na minha vida.

Conheci Karma ainda nova, pirralha. Foi paixão à primeira vista. Nos avistamos rápido e nos conhecemos (e reconhecemos) mais rápido ainda. Um desconhecido num dia era a minha compania preferida no outro. O primeiro beijo demorou. Afinal, éramos os dois pirralhos. Tivemos vários treinos antes com beijinhos de despedida que escorregavam da bocheca pro cantinho da boca… Mas quando rolou, foi bem gostoso. Lembro dos detalhes até hoje.

Karma quis me namorar. Eu também queria. Mas o meu destino tem essa tendência à um humor meio macabro e eu simplemente não entendi quando Karma me pediu pra namorar. Claro que isso gerou uma confusão. Karma achava que era meu namorado e eu achava que Karma era um ficante. Nosso começo de caso terminou assim, rápido, sem eu nem entender direito o que tinha acontecido. Mas não sem direito à uma cena digna de cinema, comigo voltando correndo para Karma e tascando-lhe um beijo de despedida. Começou assim o meu caso mal-resolvido.

Karma arrumou uma namorada (essa sabia que era namorada dele). Eu segui minha vida. Mas nunca deixamos de nos encontrar, nos falar, nos gostar. Virei uma pessoa especial na vida do Karma e Karma na minha. Trocavamos cartas, telefonemas constantes e de vez em quando arriscavamos dizer um pouco do que ainda sentíamos.

Mas o tempo foi passando e eu também arrumei um namorado. Muita coisa na minha vida mudou, mas Karma sempre foi uma constante. Anos se passaram até que nós estivessemos no mesmo momento emocional. Terminei com meu namorado e fiquei com Karma. Mas mais uma vez não éramos namorados, éramos um caso. Um caso que foi muito bom enquanto durou, mas a verdade é que durou pouco. Eu fui aproveitar a minha recém-adquirida solteirice e Karma também partiu pra outros lados.

Mas mesmo assim continuavamos sendo NÓS - um NÓS que nunca foi um casal mas que era de um jeito só nosso. Karma teve muitas mulheres, mas tenho certeza de que nenhuma como eu. O inverso também é verdadeiro (apesar do meu número ser bem menos expressivo…). Karma tinha ciúmes quando me via com outro e eu mal conseguia olhar quando Karma estava com outra.

Mais primaveras, outonos e verões se passaram. Karma arrumou uma nova namorada, desta vez bem séria. Mas neste época voltamos a ser casinho. Encontravamo-nos sempre durante a semana, a namorada Karma só via no finde. Eu era “a outra”, mas pra mim isso nunca teve uma conotação ruim. A namorada é que chegou no meio da nossa história. E essa situação foi ótima durante um bom tempo. Mas como não podia ser diferente conosco, eu arrumei um namorado. E ao contrário de Karma, eu não conseguia (e não queria) gerenciar a situação de manter as duas histórias. Karma foi posto de lado novamente. Sei que Karma não se importou com isso. Não que Karma não gostasse de mim, mas à essa altura NÒS dois já entendiamos a essência da nossa história. E de qualquer modo, sempre mantivemos a nossa (maravilhosa) amizade.

Num breve período em que fiquei separada do namorado, saímos uma vez. Mas eu tinha amadurecido e aquela história de “outra” já não se encaixava mais na minha vida. Disse isso pra Karma com sinceridade, Karma entendeu e foi alí o nosso último beijo.

E embora nossos corpos estejam separados já faz tempo, nossas mentes e almas continuam unidas. Não perdemos contato, apesar dele ter ficado mais raro. Penso em Karma de vez em quando e sei que Karma também pensa em mim.

Eu não acredito em almas gêmeas e também não acho que haja apenas um parceiro ideal para cada pessoa nessa vida. Portanto, eu achei o meu parceiro e Karma achou a parceira dele. Hoje, já mais madura, não penso nessa história como um caso mal-resolvido. Na verdade, ainda não sei muito bem dizer o que é nossa história. Eu sou feliz com a minha vida. Karma é feliz com a dele. Não há mágoas ou arrependimentos. Mas me pergunto se nos encontraremos em algum momento no futuro. Ou será que tudo isso foi só uma história de adolescência? São apenas perguntas, nada mais. Só o tempo poderá respondê-las.

Others trips down memory lane:
Não tem explicação por Claire
Casinho passado é casinho relembrado por Pepê

por Thaty Azul

Assunto: Memory Lane, Nosso louco amor

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Não tem explicação

22 de Junho, 2007

Os dois se conheceram ainda na faculdade. Sem querer, se conheceram e se olharam. Não se viram mais. Ele conseguiu seu telefone, ela não entendeu como. Conversaram, riram, se encontraram. Conversaram mais, riram mais, se beijaram. E saíram de novo.

Ele a procurava, ligava, encontrava. Ela se apaixonou. Logo, descobriu que havia uma namorada, e não era ela. Ele não negou. E nada prometeu. Ela jurou não vê-lo mais.

Ele procurou, ligou, pediu. Nada prometia, mas queria vê-la novamente. Ela cedeu. Continuava apaixonada. Ele ligava diariamente, era atencioso, carinhoso, até presente de dia dos namorados ela ganhou. Dirigia kilômetros só para vê-la. Mas nada prometia. Diariamente, ela prometia a si mesma que ia acabar com tudo. Acabou por entregar-lhe sua virgindade.

Ela, inundada da mais jovem ingenuidade, sonhava com o dia em que ele lhe diria que o namoro havia terminado, e que a namorada agora era ela. Ele quis casar-se. Convidou-a para um almoço – queria que ela soubesse por ele, e não por outros, que estava noivo. Ela nunca desejou tanto tacar um prato de macarrão na cara de alguém. Controlou-se, mas não devia.

Ela sentiu raiva, muita raiva. Logo depois, apaixonou-se perdidamente por outro. Que também apaixonou-se por ela. Ela estava feliz, esqueceu a raiva. Ele ia casar. Voltou a procurá-la, mas para conversar. Viam-se ocasionalmente, e entre um almoço e outro, ficaram amigos. As conversas eram boas, o riso solto, a companhia agradável. Não havia dúvidas de que se identificavam.

Ele casou. Ela estava cada vez mais apaixonada pelo outro. E feliz. Um dia, ele quis mais que uma simples conversa. Ela estremeceu. Havia um magnetismo, o tesão era grande. Ela negou, estava amando e isso era o que mais importava.

Continuaram amigos, mas falavam-se muito eventualmente. Ele casado, ela morando com o outro. Os dois felizes.

Um dia, ela achou que ele chegou bem diferente do seu jeito de sempre chegar. Talvez ela já não estivesse mais tão feliz. Era só um almoço entre amigos. Acabou entre beijos, frio na barriga e tremor nas pernas. Apaixonaram-se. Novamente. Ela não sabia o que fazer. Tentou resistir, mas cedeu. Arrependeu-se. Não queria magoar seu amado. Mas definitivamente já não estava mais tão feliz.
E mais uma vez, os dois se falavam frequentemente. Ela queria (e jurou) que fosse só amigos. Mas era difícil resistir:  o magnestimo era inexplicável. Ela já não sonhava nem queria mais que ele fosse só dela. Ela amava o outro.

Por motivos outros, ela separou-se. Ele a consolou, foi seu amigo. Conversaram, desabafaram, transaram, gozaram. Eram cúmplices, amantes, amigos. Alternavam momentos de amizade e carinho com paixão e ciúmes. Era intenso. Disseram que, em outras circunstâncias, poderiam casar-se. Ele era o homem ideal para ela, não fosse casado e tão canalha. Ela era simplesmente ideal, mas não foi a primeira. Confiavam um ao outro seus segredos, e ainda tentavam ser somente amigos. Ela seguia sua vida, mudava uma penca de coisas, procurava um novo amor. Ele seguia casado, amando sua esposa, constituindo família.

Um belo dia, ele traiu sua confiança de amante-amiga. Ela sentiu-se como qualquer uma das outras com quem, ela sabia, ele se deitava. Ela o odiou. Nunca havia se decepcionado tanto. Ligou, gritou, xingou, apagou seus contatos, lhe desejou o pior e mais uma vez jurou nunca mais sequer falar com ele.

Ele disse não entender o ocorrido, sentiu-se injustiçado. Depois desculpou-se. E desculpou-se novamente. Declarou-se. Disse que a amava, e que tudo não poderia terminar assim. Não queria que ela o odiasse. Ela manteve-se dura, a decepção era grande demais, o ódio estava lá. E ele se desculpava. Admitiu seu erro. O ódio dela transformou-se em raiva. Anos se passaram, e a raiva também.
Eles voltaram a se falar. Virtualmente. A identificação persiste, e eles riem de novo. Revêem o passado, e não tem dúvidas que a relação é especial. Ela confessa que nunca mais será a mesma coisa, mas redescobre que o ama. Mais uma vez, concordam que devem ser só amigos, e que o grande erro foi misturar tesão, sexo e paixão com uma amizade tão bonita e cheia de carinho. Melhor não se encontrarem.
Nos 11 anos que se passaram, ele já despertou nela todos os sentimentos que uma mulher pode sentir. E vice-versa. Talvez eles consigam ser amigos. Talvez não. Talvez se odeiem e se apaixonem novamente. Certamente jamais ficarão juntos.

Há quem não acredite que essa relação é especial. Eu simplesmente acredito que há coisas que não tem explicação, e que é possível amar por caminhos tortos. E vejo os dois, velhinhos com seus outros amores, relembrando cheios de carinho sua história. E desejando que seus filhos e netos tenham, além de seus amores, alguém na vida com quem possam compartilhar uma relação assim tão complicada, mas ao mesmo tempo deliciosa.

Por Claire

Assunto: Memory Lane, Nosso louco amor

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Casinho passado é casinho relembrado

17 de Junho, 2007

Tempo rei, ó tempo rei, ó tempo reeeeeiiii…
O bom dos casinhos passados é que, quando o tempo passa, você acaba se lembrando deles com ternura e desprendimento, mesmo que tenha sofrido um pouco ou bastante enquanto vivia o casinho.

Uma vez conheci um casinho muito inteligente, engraçado, gente boa e boêmio como eu, e a história até que durou, dadas as proporções que o esquema casinho circuito-mambembe-forasteiro oferece: muitas idas e vindas, dias juntos e dias separados, noites varadas alternando as casas, ligações no meio da madrugada, tudo isso regado a bebida, sem ninguém falar de compromisso e sem querer se apegar muito.

O começo foi bacana! O primeiro beijo numa praia, um céu maravilhoso com direito a filosofias existencialistas à beira-mar. Tempos depois, voltamos a nos ver na cidade sem muito porquê, acabavam acontecendo afinidades e mesmo sem ficarmos amigos, sem dizer verdades e sem ser tão sincero, havia a vontade de passar o tempo junto, sempre respeitando o esquema casinho circuito-mambembe-forasteiro. Acontece que o dito tinha e não tinha uma namorada, era algo difícil de se entender - e nem sei se eu queria muito entender.

Mas com o passar do tempo comecei a gostar do casinho, e queria era ficar com ele, era realmente adorável: conversa, caminhadas, música, sexo, e cheiro - ele tinha um cheiro próprio sem artifícios muito bom!

O casinho não me quis, então parti meu coração e sofri. Eu queria ir um pouco além do que tinha, mesmo sem saber o que queria. Acho que queria um namorado mesmo, usar a nomenclatura, ter a companhia permanente e tudo o mais. Não queria mais ser meio alguém na casa de outro, não tinha mais paciência para emoções flutuantes, não gostava da idéia da namorada fantasma.

Dispensei o casinho, com rancor de não querer nem ser amigo, já que não entendia como podia surgir uma amizade de algo que nunca foi uma amizade. Mandei um e-mail longo fechando a porta com ele, dizendo tudo o que sentia e estava pronta para viver novas emoções.

Também disse que não havia como surgir uma amizade feita em cima do nada, que o que tinhamos nunca tinha sido uma história completa, era sempre tudo pela metade, e não havíamos nos conhecido através de uma amizade, queria só distância. Ainda fechei o e-mail dizendo que, se ele quisesse minha amizade, que batalhasse por ela, porque ele nunca fazia mesmo muita força e questão de saber como eu estava, o que ocorria na minha vida, minhas histórias e problemas… E isso era verdade! Quando cai a ficha é um sofrimento… Acho que mandei bem.

Muito tempo depois, naturalmente, ele me procurou algumas vezes para conversarmos sobre as afinidades que haviam ficado, gostos e informações, com iniciativa de um casinho do passado que quer se tornar amigo. Hoje vejo que, no final das contas, acho que tivemos, ao nosso modo, uma história completa sim, e não sei que tipo de outra história poderia ter sido. Foi única e singular como toda boa história de um casinho, com começo, meio e fim e ainda com requintes de noites varadas em circuito-mambembe-forasteiro. Somos amigos ao nosso modo e, sim, penso nele com ternura.

Por isso se você vive hoje um casinho circuito-mamembe-forasteiro e não sabe muito onde isso vai dar, compre uma mochila e carregue bem a necessaire. Não pense, viva! Até onde estiver a fim. No final de tudo, vocês vão ter tido uma história e tanto, seja lá como for, única e memorável.

Por Pepê

Assunto: Memory Lane, Nosso louco amor

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Casa comigo!!

5 de Junho, 2007

Namoramos dos 16 aos 25.
Várias idas e vidas, mas éramos sempre um do outro.
Minha primeira transa foi com ele, meu primeiro amor foi ele.
Como toda boa adolecente da minha época, por 2 anos fingi que transei, mas transamos de verdade aos 18. Foi péssimo, mas foi. Precisava ser. Estávamos separados na época.
Namoramos e trasamos por mais 7 anos e nos separamos poque eu não soube esperar o tempo dele, nem ele o meu.Casei com outro, tive filhos e nunca mais ouvi dele.

Há um ano nos reencontramos virtualmente. O medo era grande, então por e-mail foi mais fácil.
Descobrimos juntos – ainda virtualmente - que aquele amor pueril era parte de quem somos. Era parte da nossa história. Era a nossa história.
Mesmo tendo vidas completamene distintas, em países diferentes, com rotas diferentes, continuávamos pertencendo um ao outro.
Marcamos um encontro real. Putaquepariu. E agora?
Nos encontramos em um hotel nos Estados Unidos depois de 9 anos sem se ver.
Quando ele bateu na porta do quarto, a gente não falava nada. Só se abraçava. O que falar depois de 9 anos? Tínhamos só 19 horas. 19 horas só nossas. Era esse o nosso número. 19.

Conversamos, beijamos, abraçamos, demos risadas, comemos, bebemos, compramos, passeamos, choramos. O amor era tanto que as outras pessoas nos felicitavam.
A gente emanava felicidade. Os olhos brilhavam, o sorriso vinha fácil, o coração quase explodia.

19 dias depois, ele veio pro Brasil – não por mim, mas por uma data especial.
Descobri, 9 anos depois, que gosto de transar como ele gosta. Nada melhor.
Daí ele voltou pra vida dele, e eu pra minha.
Ele agora quer ser meu amigo. Fala sério…

Me distraio com amigos-coloridos, mas tudo que eu quero é casar com o meu primeiro amor.
Casa comigo?

por Delícia

Assunto: Nosso louco amor

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