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Ela foi!

1 de Agosto, 2008

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o Papo Calcinha é uma reunião de amigas. lindas, inteligentes e sexies. rs…
por isso o post de hoje é de autoria de uma amiga querida, convidada (por enquanto) absoluta e jornalista competente. e carioca, claro! ;)

espero que gostem tanto quanto eu.

Lais Orrico

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(por Camila Barcellos)


Para a casa dele. De mala e cuia, cafeteira italiana, seus livros preferidos, alguns porta-retratos sem os quais seus dias não seriam os mesmos… Trouxe inclusive um quadro de 60×80cm. Afinal… Tinham 01 mês de namoro!

Na primeira semana, ela havia comprado tinta para mudar a cor da parede do escritório, “laranja é ótimo para ambientes de trabalho”; trocado o mural dele pelo quadro, pois a luminosidade era mais adequada; feito uma lista de tudo o que faltava na dispensa e que ela gostava e me recebido com: “que ótimo te ter aqui em casa”.

Gargalhei. Não dela, mas de mim. Eu jamais conseguiria com tão pouco tempo de relacionamento - mesmo no auge da paixão e de toda sua deliciosa “irracionalidade” - dizer “minha casa”, me sentir tão “em casa”, por mais maravilhoso e receptivo que ele fosse, por mais bilhetinhos que deixasse espalhados dizendo: “seja bem-vinda a nossa casa!”. Por mais que antes tivéssemos sido amigos por alguns anos. Obviamente, não seria uma chata, negando ou recusando tamanha demonstração de amor e bem querer… Mas, confesso! Enquanto eu pudesse, evitaria frases com o pronome possessivo da primeira pessoa do plural. Por algum tempo me sentiria uma intrusa. Complexo de inferioridade? De superioridade? Horror à idéia de ter meu espaço invadido? Pânico em cogitar invadir o do outro? Achei que um bom café e umas sessões de terapia talvez me fizessem bem!

Na verdade, só precisei do café. A resposta às minhas perguntas estava clara: Ela não tem medo de errar! Leia-se: ela sabe o que quer. Sabe que tudo é possível. Acertos e tropeços. Mas, antes de considerar o erro, prioriza sua capacidade em fazer dar certo. Foca no que quer e seus ouvidos simplesmente não entendem “conselhos” de quem já passou por isso. Afinal, esse “isso” é dela. É único! Ninguém nunca o viveu.

Sem pensar em ser ridícula ou fantástica, perfeita ou humana, apenas ser em toda sua essência comprometida com o seu amar… Aceitar o que o outro lhe estende com as duas mãos e de peito aberto… É tarefa para quem não tem medo de flores, cores, nem amores…

Assunto: Vida nova, Bom conselho, coisas de mulherzinha, Tudo

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O que me faz amar um homem?

7 de Julho, 2008

(texto de Ailin Aleixo retirado - literalmente - de uma revista e digitado aqui em uma homenagem à dicotomia feminina e a nossa busca de explicação para tudo)

Só ser desejada de nada adianta: quando acaba o suadouro, o que resta? 

Eu realmente acreditava que o que me fazia amar um homem era a inteligência. Elucubrações e digressões me impressionavam. Conhecimentos literários, artísticos, práticos seduziam a eterna adolescente em mim. Mas descobri que não era isso que me fazia amar: de nada adianta um cérebro invejável, citações brilhantes, se ele não rir das próprias besteiras, se não souber aproveitar as delícias do ócio de um sábado quente. Então percebi: bom humor era essencial.

É delicioso estar com alguém que vive sem arrastar correntes e faz dos pequenos horrores cotidianos inevitáveis piadas. Só que nem tudo é uma piada e, em certas horas, quero alguém que me conforte a alma. Nesses momentos, nada pior do que ser levada na brincadeira - existe uma imensa diferença entre a alegria de viver e a recusa a sair da infância. Então fui invadida pela certeza de que o que me fazia amar alguém era, antes de tudo, a sensibilidade.

Telefonemas de bom-dia, olhares que vêem, pequenos gestos incontidos - tudo o que eu podia querer. Ou quase. Só sobrevive ao meu lado alguém que grite comigo quando eu passar dos limites do bom senso, demonstre desagrado quando eu exigir demais e oferecer de menos. Preciso ser cuidada, mas preciso da certeza de estar com um homem de verdade e não com um moleque preso no complexo de Peter Pan. Quero ser domada, tomada.

Nem inteligência, bom humor ou sensibilidade me faziam amar alguém. Talvez fosse virilidade.

Mal abrir a porta da sala e ser consumida por beijos. Ter a roupa arrancada no caminho da cozinha. Ser desejada com urgência é um dos maiores elogios que uma mulher pode receber, mas só ser desejada de nada adianta: quando acaba o suadouro, o que resta? Se o que interessa é a movimentação, tudo bem. Mas se existe a possibilidade de ser esmagada pelo vazio de sentido após o orgasmo, de nada vale. Pelo menos se não vier acompanhado de cuidado, carinho. Pensei, então, que ele seria a pedra fundamental pra despertar meu amor. Mas carinho é um sentimento abrangente demais: nos invade desde a visão de um cachorro abandonado até a palavra confortadora de um desconhecido.

Um dia, cansei de tentar adivinhar. E, nesse dia, após tantas enumerações paralisadoras e neuróticas, descobri. Hoje sei exatamente o que me faz amar um homem: o amor existir.

Quando é necessário justificá-lo, procurá-lo, racionalizá-lo, é sinal de que ele não está ali.

Simples assim.

Assunto: Bom conselho, Nosso louco amor, coisas de mulherzinha, Tudo

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O problema são as amigas!

11 de Dezembro, 2007

Toda mulher deveria ter vários amigos do sexo oposto. Bons amigos, vez ou outra, abrem portas para o entendimento do universo nada complexo masculino.

Dia desses, conversava com um amigo – estilo ‘bom-partido-genro-que-mamãe-sempre-sonhou’ - quando uma mulher o liga. Ele olha, pensa, decide não atender. Ela já havia ligado naquela semana, já haviam se falado. Saíram no final de semana anterior, ele não estava muito interessado e ela, ao que tudo indicava, havia se interessado.

Esse amigo tem uma frase bastante interessante: “Trato toda mulher que está comigo como se fosse a mulher da minha vida”. É praticamente uma filosofia de vida, afinal se ela o atraiu de alguma forma certamente merece ser bem tratada. Os bons tratos, neste caso, incluíram oferecer uma escova de dentes pela manhã além de servir café da manhã na varanda com direito a linda vista de sua casa, entre outros detalhes. O rapaz é um verdadeiro cavalheiro.

Eu, num ímpeto de defender a classe feminina, dizia: “mas você deu todos os sinais de que estava interessado! Depois de escova de dente e café da manhã servido na varanda, ela deve ter concluído que você estava apaixonado! E agora a pobre-coitada está sem entender nada…

Ele, sem se abalar, descreve sua interpretação dos fatos. Admite que a tratou muito bem, mas afinal porque a trataria mal? A escova de dentes ele ofereceu por educação – costuma ter algumas escovas no armário para visitas, e a mulher viu o estoque de escovas (claro indício de que não é um tratamento especial). A varanda é seu lugar preferido na casa, alugou o apartamento por causa dela, então porque não usá-la? E o café da manhã não passou de um pão com requeijão e um cafézinho. Coisa rotineira pra ele. Em momento algum, falou em se verem novamente. Pelo contrário, deu sinais de que nos próximos finais de semana já tinha programação, e não chegou a convidá-la. Ele a levou em casa, despediu-se com um beijinho, e pronto.

No dia seguinte, ele pensava se queria ou não encontrá-la novamente. Enquanto isso, achou melhor não ligar. Já ela, segundo o raciocínio dele (e eu tenho que concordar!), foi contar as amigas sobre sua noite: ‘Deve ter destacado o café da manhã e a escova de dentes, e omitido todos os sinais contrários a minha suposta paixão’. As amigas, acostumadas a serem mal tratadas pela macharada desse Brasil, concluem rapidamente que ele deve ter ficado amarradão. De tanto falarem, ela que já desconfiava, resolve ter certeza. E aí, coloca tudo por água abaixo, quando resolve procurá-lo e procurá-lo de novo. Ele, que estava em dúvida, desanima de vez.

Depois dessa conversa, e sem analisar o emocional do rapaz, cheguei a algumas conclusões:

  1. Com tanto homem mal-educado nesse mundo (ou ao menos nesse Brasil), quando somos super bem-tratadas achamos que fisgamos o cara de vez. E ele pode estar simplesmente sendo bem-educado, aliás como todos os outros deveriam ser;
  2. Mulheres têm forte tendência a omitir os detalhes que depõem contra o resultado desejado, além de adorar ouvir a opinião das amigas que não estavam lá para saber de alguma coisa;
  3. Ao invés de perdemos nosso tempo revendo cada detalhe da noite para decidir se o cara está super a fim ou não, deveríamos simplesmente esperar. Não sou estrategista, e passo longe de ser machista, mas cada vez mais tenho certeza: homem interessado liga, aparece. O negócio é reaprender a ser caça, como já disse a Pepê por aqui.
  4. Homens cavalheiros como esse meu amigo são um verdadeiro perigo!!!

Por Claire.

Assunto: Bom conselho

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Casa, separa, casa, separa.

19 de Novembro, 2007

Hoje fiquei sabendo de mais um casamento que foi para as cucuias. É a sétima separação que fico sabendo nesse ano. Esse foi um casamento com linda festa e alguns anos de união, que acabaram na tristeza da separação e na sensação do sonho ter virado pesadelo. Comecei a pensar no que é casamento para mim e, estando casada, é um pouco mais tranqüilo dissertar sobre. Coincidentemente, recebi por e-mail um artigo do Stephen Kanitz , administrador e articulista que sempre escreve sobre casamento. Não deixo de sentir uma tristeza profundíssima ao ouvir - Estou me separando - e sempre tenho vontade de puxar a pessoa, dar um chacoalhão e dizer: - Ainda não! Tenta de novo! - Mas é que nem todo mundo quando se casa estabelece um pacto de verdade. Um pacto contratual não só no papel, não só na igreja, mas de ideais sobre o futuro. Esse pacto é no fundo como se você dissesse: Olha só, você é uma pessoa que eu admiro demais, nossos valores são os mesmos, você parece me amar também muito e eu me cansei dessa vida de meu deus. Por isso, eu prometo que estarei com você, em todos os momentos, te apoiando e te amando e espero o mesmo de você. E pode confiar em mim, não vou deixar que a nossa relação fique frágil ou se desestabilize. E espero o mesmo de você. Eu sei que vou encontrar pela vida inúmeros caras interessantes e bacanas mas, mesmo assim, meu compromisso é com você, e para que ele continue se mantendo forte, não poderei vacilar, caso contrário nossa confiança não será mais a mesma. E espero também isso de você. E ponto. Esse é o contrato. E é preciso que se estabeleça esse nível de compromisso desde o início, entre ambos, se seu sonho é ter vida longa no relacionamento com alguém e vida longa, lê-se, para sempre. O que acontece é que, se alguma parte do contrato falha ou não se cumpre, é muito mais difícil recomeçar. Daí então um novo pacto deve se firmar. Mas, como alguém provavelmente já saiu machucado, a primeira reação é abandonar o barco e querer começar de novo, sozinho ou com outra pessoa. E, lá no fundo do machucado, existe a sensação que já não há porque sustentar um contrato de casamento que tinha lá atrás como objetivo resumido o amor incondicional. As condições apareceram e, a partir delas, as insatisfações. É por isso que os casamentos acabam. Por isso eu diria que, antes de acabar com um casamento, vale rever o dia em que resolveu firmar esse “contrato” com a pessoa amada, ainda que não no papel mas espiritual, já que foi alguém que você escolheu na vida, ao contrário dos nossos filhos e nossos pais que amamos incondicionalmente porque aprendemos assim desde o começo. Esse foi alguém que você resolveu colocar na sua vida e quis amar desde o início. E, para que dure, assim como o amor de pais e filhos, você deve amar esse alguém sobre todas as coisas e incondicionalmente, sempre, e vice-versa, como reza o pacto.

Mais sobre casamento e separações

Por Pepê 

Assunto: Bom conselho

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Não tem que ser aos trancos e barrancos

13 de Novembro, 2007

Depois de um longo e sofrido divórcio por muito tempo eu achei que o meu destino eram relacionamentos um pouquinho complicados. Foquei nos homens na faixa dos quarenta, divorciados e com filhos, mas na maioria das vezes eles eram tão enrolados com as ex-esposas que eu não aguentava. Aqueles que tinham levado um pé na bunda dificilmente iam se recuperar. Tentei os solteirões nos seus trinta e muitos mas como o próprio nome diz, eles querem ser solteirões.

Aí eu resolvi dar um tempo, esquecer um pouco sobre relacionamentos e prestar atenção em mim mesma. Retomar hábitos que eu tinha há muito tempo abandonado, dar mais atenção aos amigos, voltar a fazer esportes. Nesta época tive relacionamentos esporádicos, sem muitas cobranças, leves e divertidos. Por certo eu não estava apaixonada mas nunca fechei a porta para pessoas interessantes se aproximarem.

Lá no fundo, eu começei a retomar as esperanças de que eu merecia uma pessoa especial, uma relacionamento que despertasse o meu melhor e não aqueles sentimentos ruins que são bem melhores quando estão adormecidos. Eu nunca acreditei muito de que os opostos se atraem,tem que ter afinidades e principalmente uma visão em conjunto da onde estar daqui a vinte, trinta anos.

Até que eu conheci uma pessoa, que se joga de cabeça como eu, que é sincero, doce e que é tão pão duro quanto eu. Com ele descobri que quem se esconde muitas vezes na caverna sou eu e com jeitinho ele vem me resgatar. Ele entende o fato de que eu preciso muitas vezes estar rodeado de gente querida. Interessante ver que ele tem muita mais paciência do que eu. Ele entende que eu ainda estou vencendo umas inseguranças do passado. Eu encontrei a pessoa que eu quero envelhecer junto.

Não, não precisa ser aos trancos e barrancos mas precisa ter força para terminar um relacionamento que não te faz bem ou admitir que aquela pessoa simplesmente não gosta de vocé, mesmo você sendo legal,linda e inteligente. Vale a pena!

Por Peach

Assunto: Bom conselho, Girl Power

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Entre sachês, vestidos e paletós.

5 de Novembro, 2007

Minha querida calcinha-cultural Laís, inspirada pelo filme, andou escrevendo sobre o passado. Marimari, a secretária-do-lar mais cool dessa tal de internet andou se inspirando em Chico, e a desordem de seu armário embutido, para dar valiosas dicas sobre cabides. Elas não sabem (ainda), mas juntas criaram um ambiente que fez com que me fosse impossível não escrever esse artigo.

Eu explico. Em um passado que, ora me parecia tão distante, meu vestido era abraçado por um paletó, felizes na desordem do armário embutido. Criaram juntos sua história, até que chegou a hora de uma inevitável separação. Chico Buarque parecia estar nos assistindo sorrateiramente quando escreveu a letra de “Eu te amo”. Foram dias sofridos. Passaram-se entre conversas recheadas de boas lembranças, momentos de ‘luto’ pelo fim do que parecia tão belo, e seguidas frustradas tentativas de reconciliação. A cada frustração, uma nova mágoa, um pouco mais da certeza de que foi bom enquanto durou, mas já não era mais a mesma coisa. Não valia mais a pena lutar, e mágoas foram guardadas, palavras não foram ditas, e mentiras sinceras interessavam.

Passou-se o tempo. A história de amor e separação parecia ter ficado no passado, dando espaço para um presente de muito carinho e amizade. Seguíamos caminhos diferentes, mas ainda confiávamos, vez ou outra, nossos olhos e pernas um ao outro, perguntando para onde ir, e como ir. Havia um laço que não queríamos romper, insistiamos em mantê-lo mesmo que cada vez mais fraco, pois nos trazia uma sensação de segurança e conforto. Até que o passado voltou à tona, de forma arrebatora, despertado por um ato aparentemente inofensivo. Palavras guardadas foram ditas, as mentiras sinceras foram questionadas, feridas foram re-abertas. O passado não parecia mais tão passado assim, e engolia o presente. Com a explosão, o fraco laço finalmente rompeu-se. Mas de forma abrupta e dolorida.

O passado não some, não desliga, não desaparece, mas passa – mesmo que devagar. E ao passar deve ter como destino final um remoto cantinho do novo armário embutido, como um sachê. Você sabe que ele está ali, sente seu cheiro predominante, carrega um pouco consigo em suas roupas, faz do agradável odor sua inspiração para um novo dia. Outros dias. E tantos dias depois, aquele odor já não será mais tão perceptível, estará misturado a outros novos odores, novas inspirações, novos pedacinhos de passado deixados ali.

O importante é que cada parte do nosso passado seja empacotada em um único sachê que, no momento certo, terá sua fita cortada e laçada. É impossível recomeçar do zero, os odores se misturam. Mas cada sachê pode ser iniciado após o outro, sem riscos de nos sentirmos subitamente inebriados por um odor predominante e reincidente, ainda solto por aí. E no futuro, quem sabe novos laços possam formar-se entre quase inodoros sachês do remoto passado.

Finalmente, cortei a fita e dei o laço final em um sachê que teimava em permanecer entre-aberto. E agora, me sinto preenchendo em paz um único sachê aberto, mesmo que ainda sob a influência do cada vez mais suave odor anterior.

E Papo Calcinha também é auto-terapia. Que nossos armários embutidos se encham de sachês, completos e indivisíveis, e que o odor final seja cada vez mais agradável.

Deixo vocês com a letra de Chico - esse homem dotado de indescritível talento para transformar em lindos versos os mais confusos tormentos e alegrias de nossa’lma humana, além de dono de grande charme :)

‘Eu te amo’ – Chico Buarque

Ah, se já perdemos a noção da hora
Se juntos já jogamos tudo fora
Me conta agora como hei de partir
Se ao te conhecer, dei pra sonhar, fiz tantos desvarios
Rompi com o mundo, queimei meus navios
Me diz pra onde é que inda posso ir
Se nas travessuras das noites eternas,
Já confundimos tanto as nossas pernas
Diz com que pernas eu devo seguir
Se entornaste a nossa sorte pelo chão
Se na bagunça do teu coração
Meu sangue errou de veia e se perdeu
Como, se na desordem do armário embutido
Teu paletó enlaça o meu vestido
E o meu sapato inda pisa no teu
Como, se nos amamos feito dois pagãos
Meus seios inda estão nas suas mãos
Me explica com que cara eu vou sair
Não, acho que estás me fazendo de tonta
Te dei meus olhos pra tomares conta
Agora conta como hei de partir

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Por Claire.

Assunto: Trilha Sonora, Bom conselho

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Passou do ponto

16 de Outubro, 2007

Início de relacionamento é sempre bom, mesmo os mais despretensiosos. Você conhece o cara, recebe o convite pra sair, decide aceitar – afinal, sempre vale a pena tentar. Primeiro jantar, primeiro beijo, ligação do dia seguinte, novo convite, novo encontro, noite mais quente, primeira transa, mais encontros, mais ligações do dia seguinte. Tudo parece indo bem, e é a hora do relacionamento evoluir. Surge a vontade de passar mais tempo na companhia do sujeito, para ter certeza se realmente vale a pena, para conhecê-lo melhor e ver no que dá. Uma noite de jantarzinho\drinks (e o que vem depois) já não é mais suficiente. Você quer cinema, passeios de mãos dadas, almoços, café da manhã, praia, viagem de final de semana.

Trata-se do momento crucial, o turning point – quando é preciso decidir se a história vai ficar somente nesse lance casual ou se pode ir mais além, se vale a pena investir, se pode virar uma história mais interessante. O rapaz é boa gente, a companhia é agradável, existem algumas afinidades e ele se mostra interessado, é carinhoso, demonstra prazer na sua companhia, faz planos de programas a dois. Tudo parece contar favoravelmente. É, deve valer a pena investir.

Subitamente, ele não parece mais tão disponível. Trabalha até tarde e aos finais de semana, tem o futebol, o Maracanã, o almoço com a família, a viagem já planejada com os amigos. Ele continua ligando, diz que quer muito te ver, adora sua companhia, mas a viagem planejada não sai, os encontros continuam limitados ao jantarzinho\drink e você acaba se sentindo “encaixada” numa brecha da concorrida agenda. O relacionamento não evolui. O que ele diz não condiz com seus atos, e ele ainda insiste no mesmo discurso.

Nessa situação, só existem duas opções possíveis:
(a) Ele não está tão interessado quanto você julgava. Talvez esteja apenas ali em cima do muro – não quer investir, mas também não quer deixar de lado.
(b) Ele até está sendo sincero quando diz que quer MUITO te ver, mas não foi capaz de perceber que este é o momento de fazer um esforço extra.

Talvez seja uma mistura das duas opções, mas isso nem importa muito: é ruim de qualquer jeito. A coisa passou do ponto, o tal do turning point passou batido e não vingou. O timing foi perdido, nem importa mais o que ele venha a fazer. É, acho que não valia a pena investir.

Mais uma vez, concluo que não há mais espaço para esse tipo de relação na minha vida. Prefiro uma história real, mesmo que curta, a uma sequência de encontros que não formam uma história. Não tolero mais ser tratada como uma adolescente incapaz de ler nas entrelinhas, considero praticamente um insulto. Quero homens de verdade, seguros do que desejam e cujos atos façam jus ao seu discurso – mesmo que o discurso me desagrade.

E a busca por um tal homem de verdade continua, e parece que estão cada vez mais raros. Que venham os próximos e eu tenha mais sorte. Quem disse que é fácil a vida de mulher solteira?

Por Claire.

Assunto: Bom conselho, Tudo

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Soprei a saudade

27 de Setembro, 2007

(…) Você falou o que eu queria ouvir, me fez sumir no seu abraço, notou detalhes que ninguém nunca ousou notar, tirou minha roupa sem pudor, me levou pra cama. Me pediu pra ficar pra dormir. (…)

Pra minha surpresa, no final das contas, você foi um babaca. Desnecessariamente babaca. Agora tenho motivos concretos pra sumir. Descobri que você lê esta coluna. E que sabe que “Delícia” sou eu. :) Parou de brincar comigo.

Agora minha barriga não dói mais; não penso mais tanto em você. Vai passar.

Afinal, a fila tem que andar! :)

Por Delícia.

Assunto: Dúvida cruel, Vida nova, Bom conselho, Tudo

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O mal da perfeição

20 de Agosto, 2007

“Aceitar que relacionamentos sempre incluem dor e sofrimento é a chave para um casamento feliz, segundo um estudo publicado na Revista de Terapia de Casal e de Família, nos Estados Unidos.

Os professores da Universidade do Estado da Califórnia Diane Gehart e Eric McCollum dizem que os contos de fada e histórias de amor atuais criam uma ilusão de que é possível viver um “relacionamento perfeito”, o que torna ainda mais difícil lidar com os problemas do dia-a-dia.

“Nossa cultura perpetua o mito de que, com esforço suficiente, podemos atingir um estado sem sofrimento”, diz a pesquisa.”

Este trecho é parte de uma notícia publicada há um tempo atrás no Globo online. Na época guardei a notícia por que me identifiquei com a pesquisa. Atualmente, a eterna busca pela perfeição é algo que me irrita.

A gente tem que ser o tempo todo feliz, malhado, bonito, inteligente, bem-sucedido. É tanta coisa que parece que nem sobra espaço para sermos simplesmente humanos. Defeitos são inaceitáveis. A coisa está ficando tão ridícula que frequentemente ouvimos frases como: “Meu problema é que sou muito bonita” ou “Eu sou inteligente demais”. O que isso quer dizer? Essa pessoa é tão perfeita que seu defeito é ser perfeita demais?

É só parar, respirar um pouco, dar um passo para trás e observar todo o quadro. Estamos sempre tentando parecer alguma coisa. Parecer que estamos felizes mesmo quando nos sentimos sozinhas. Parecer que estamos quase ricos, mesmo quando a conta já está no vermelho. Parecer que temos o casamento perfeito, mesmo que tal coisa não exista.

Hoje eu me dou conta que o que me faz estar casada até hoje é o fato do meu marido conhecer meus defeitos e saber lidar com eles. Sejamos bem pragmáticos neste caso. Eu conheço minha qualidades e todos os namorados que tive me amaram por causa delas. Mas todos foram embora por causa dos meus defeitos. O único que ficou, conheçe meus defeitos tão bem quanto os outros. Mas ele não foi embora por causa deles. Ele me ama exatamente por que sou imperfeita. E é por isso, que hoje eu o amo muito mais do que amei os outros.

Talvez o que me irrite tanto na moderna mania de perfeição, é que a perfeição não deixa espaço para o crescimento, para a melhoria. Quando você é plenamente feliz, 100% do tempo,não tem razão para lutar pela felicidade. E isso não parece muito triste? O melhor de amar uma pessoa imperfeita e ter um relacionamento imperfeito é saber que todo dia a pessoa pode te surpreender e o relacionamento pode melhorar. O melhor da vida é o caminho, o destino é só consequência da caminhada.

Então, se o sofrimento é a chave para um casamento feliz, abraçe os seus defeitos e os do seu parceiro. Celebre as imperfeições do seu relacionamento. Tudo isso são oportunidades para melhorar. E lembre-se que o primeiro passo para a felicidade é admitir que, volta e meia, você vai ter que sofrer.

Por Charlotte 

Assunto: Bom conselho

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Todas nós precisamos de um cachorro coberto de lama

22 de Julho, 2007

Creio que uma das melhores coisas que aprendemos quando amadurecemos, é saber quais batalhas lutar. E isso vale para relacionamentos também. Aprendemos que certas brigas simplesmente não valem a pena.

Quantas vezes você já teve brigas com seu amor que, depois de feitas as pazes, você não se lembra o motivo? Nestes casos, na maioria das vezes quela briga não ajudou a melhorar nada no seu relacionamento. Só serviu para causar stress. E para desperdiçar tempo valioso. Mas pior que desperdiçar este tempo, é não aprender nada com isso.

Certa vez eu estava numa calorosa discussão com meu marido. Era uma dessas brigas que, na hora do sangue quente, você acha que vai definir tudo no relacionamento. As vozes estavam se elevando e a coisa estava ficando feia, até que… Splosh! Splosh!

- Que barulho é esse?

- Splosh! Splosh!

- O que é isso? O que esse cachorro conseguiu aprontar agora?

A briga parou naquele momento. Fomos eu e meu marido ver o que o cachorro estava aprontando. Nosso cachorro tem um grande talento para fazer besteiras… A gente tinha que verificar o que ele tinha aprontado desta vez.

Ao sair de casa, todo o clima pesado da briga se dissipou imediatamente! Nós tinhamos esquecido a torneira da mangueira aberta e tinha uma enorme poça de lama no quintal. O cachorro, provavelmente convencido que tinha algum tesouro escondido ali (ou um osso :), deu de cavar na poça de lama. Ele, que é branco, estava com as quatro patas cobertas de lama quase até em cima e com o focinho totalmente marrom. Quando nos viu, ele ficou todo feliz e abriu um enorme sorriso pendurando a língua comprida do lado da boca. Era uma imagem cômica. Nos desarmou completamente.

Se você me perguntar hoje, eu não consigo me lembrar de jeito nenhum do motivo da briga. Eu que, naquele momento, achava aquela discussão tão fundamental. Desde então, penso duas vezes antes de comprar alguma briga. E um bom truque é, na hora que a cabeça esquentar, lembrar do meu cachorro coberto de lama e sorrindo pra mim. Na maoiria das vezes, o cachorro coberto de lama parece mais interessante do que a briga :). E é por isso que eu digo: para um bom relacionamento, todas nós precisamos de um cachorro sorridente coberto de lama! :D

Por Charlote 

Assunto: Bom conselho, Nosso louco amor

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