Dos apelidos carinhosos e universos particulares.
10 de Fevereiro, 2008
Carmen sempre foi Carmen e Eduardo era Eduardo, as vezes Duda, talvez Dudu. Se encontraram, e Carmen virou “Carmencita de mi corazón”, Carmencita, Sita, e não demorou muito para metamorfosearem-se em Sitos – praticamente uma espécie a parte que, como qualquer outra, prolifera-se. E o mundo tornou-se habitat natural para duas novas, pequenas e fofas Sitas.
Bruno vagava Bruno por aí até encontrar Fernanda, que era Fê e também Nanda. Não se sabe bem como ou porquê, mas foram criando um jeito próprio de ser dois e de ser um, até virarem Sr. Búco e Sra. Búca – o único casal Búco de que se tem notícia, inimitável e incomparável.
Alexandre e Alessandra se conheciam desde sempre, mas só quando começaram a namorar viraram Pititicos, depois Piticos e finalmente Pit – o amor aumenta e a preguiça também. E pela harmonia desses dois, acho que ainda viram somente P, e depois… Bem, talvez voltem a Pititicos e começem tudo de novo, só pelo gosto de apaixonarem-se mais uma vez.
Diana e Wagner, vez ou outra, incorporam Betsy e Johnny - apaixonados amantes de alcova que adoram brincar de pirulito-que-bate-bate, outra criação a dois. No entanto, há que tomar-se cuidado com apelidos de alcova. Se no amor e entre quatro paredes, nada é brega e o ridículo não existe, quando tornados públicos apelidos como Beicinho de flamboesa, Biquinho de côco ou Moranguito-vermelhitito podem virar motivo de chacota nas rodas de amigos. Ainda assim, vale a pena. É preciso saber rir de si mesmo.
O casal Léo e Dani sabe bem disso e, apesar de serem Dani e Léo na maior parte do tempo, volta e meia são também Patetas um do outro – rindo cada um de si mesmo, mas ainda mais um do outro. Talvez seja esse o segredo, e acredito que Letícia e Bernardo apostaram na mesma fórmula ao descobrirem-se os Bizungos – apelido um tanto estranho para um casal cheio de graça e um tanto mais apaixonado. Outra prova de que amor e bom humor combinam são os já 33 anos em que Dora é a Madame - ora entre risos, ora com uma pontada de irritação - de seu eterno amor Wan. E amor que é amor de verdade sempre irrita, se não hoje, certamente depois de mais de três décadas.
São muitos os amores que adoram criar moda, mas não deixemos de lado os que optam pelo simples, e nem por isso amam menos. No caso de Andreas e Aline, casal franco-brasileiro nascido em terras britânicas, as circunstâncias ajudaram e tornaram-se simplesmente Namorada e Petit Ami, só porque acham um charme o sotaque um do outro. Já Érica, Sabrina, Denise, Viviane e tantas outras são Paixão, Amor, Mô, Môzinho, Bem ou Bemzinho, provando que nem sempre é preciso ser excêntrico ou original - o olhar, o tom de voz, o charme e a sinceridade do chamar de seus Marcos, Pedro, Renato e André são mais que suficientes para torná-los únicos, especiais e perfeitamente simplórios.
Simples e minimalistas, Isabela vira Lindinha, Juliana é Juzinha, Mariana adora ser Marizinha e Eduarda há muito é Dudinha. E parece que, se para as mulheres um bom diminutivo é sempre mais, entre os homens o negócio é mesmo o bom e velho superlativo. Walter chama minha-lindinha-bonitinha-e-gostosinha só pra ouvir de volta o meu-lindão-bonitão-e-gostosão. Rafael, do alto de seus 1.95m de altura, sempre se soube grande, mas sente-se um gigante com super poderes a cada vez que ouve sua esposa chamá-lo “Meu Grandão” – nem tão original mas não menos perfeito. Marcelo vira um orgulhoso Celão, Rodrigo transforma-se em um viril Digão, Alberto adora ser ‘meu Betão’ e até Ricardo vira Ricardão.
Originais ou não, excêntricos ou nem tanto, fato incontestável é que os apelidos e brincadeiras fazem parte do universo particular, paralelo e alheio ao redor que cada casal cria pra si. Que o mundo seja cada vez mais preenchido por esses pequenos universos, e que sejam todos exagerados, cafonas, bregas, piegas, melosos, carentes de vergonha, transbordados de amor e sem a mínima intenção de fazer sentido. Sejamos todos felizes.
Por Claire.
Assunto: Nosso louco amor