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A lógica das minhas compras

10 de Outubro, 2007

Nunca compro porque preciso. Não preciso de absolutamente nada. O ato de comprar é impulsivo. Está diretamente relacionado a alguma carência. Isso é péssimo e é muito fácil perder o controle. Minha vida de consumista mudou no dia que descobri que havia a possibilidade de pagar o valor mínimo do cartão de crédito. E parcelas as compras sem juros, então? Uma comprinha parcelada em 10 vezes de 300,00 é tranquilo. O problema é quando isso acontece em vááááárias lojas, no mesmo período. Quando você soma essas parcelas aos gastos mensais, que quase não cabem no salário, o bicho pega.

Há dois meses eu tinha 6 cartões de crédito estourados, dois cheques-especiais estourados, 2 empréstimos em banco, penhor na Caixa, emptréstimo com mãe, amiga e irmão. Não tinha mais dinheiro pra pagar a empregada.

Comecei a vender minhas coisas. Fiz bazar de roupas, acessórios, móveis, louças, presentes de casamento que nunca tirei da caixa. Paguei umas coisas.

Ainda tinha muito a ser pago, então comecei a vender minhas jóias. Naquele momento, elas não tinham a menor importância pra mim. Valor sentimental igual a zero. Eu precisava pagar minhas contas. Paguei outras coisas.

Até que finalmente consegui, depois de 2 anos, vender uma casa. Com o dinheiro, consegui quitar todos os cartões, os cheques especiais e os empréstimos.

Comecei a viver novamente do meu salário e não para pagar os juros. É um mundo feio. Pela primeira vez na vida, perdi o sono por preocupação. Não via saída… nem o corpinho tava valendo tanto assim pra me salvar.

Hoje, tenho apenas 2 cartões de crédito e meu próximo passo é deixar o cheque e os cartões em casa e andar só com o cartão de débito.

Às vezes me acho ridícula, mas só eu sei o quanto não quero mais voltar pro mundo feio.

Precisei encarar esse problema como uma compulsão, uma doença, para levá-lo a sério.

Conto com minhas amigas quando vamos ao shopping. Pois é… ainda não vou sozinha, não. O mais importante disso tudo é levar a sério um costume que, no início, era pura diversão. Mas saiu do controle. E, acreditem, isso é muito mais comum do que a gente imagina.

Necessaire por Mabel Assunto: compulsão, dinheiro, problemática, Necessaire, compras, Vida Nova, Shopaholic, Tudo

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Crise existencial - enfrentando a minha

26 de Julho, 2007

“É um momento da vida em que as coisas ao nosso redor parecem perder o sentido e entramos num profundo processo de autoconhecimento. Aqueles valores, crenças e condutas que até então eram válidos já não são mais e, ao mesmo tempo, não conseguimos reformulá-los. A falta de referências seguras nesse momento de desconstrução e reconstrução interior é traduzida por muitos como um vazio dolorido, ou um caos interior. Embora cause sofrimento, é um momento precioso da vida por ser uma época de virada e superação. Em geral, a crise existencial é detonada por impactos emocionais sérios, (…) que exigem que o indivíduo reformule seu padrão de vida. É uma passagem solitária e árdua, cuja resolução demanda tempo e paciência para que a própria consciência evolua e cresça.” Assim a Vida Simples deste mês me apresenta o conceito da crise existencial, a tradução da minha fase atual.   

Já Paula Toller, cantou e contou a tal da crise em O que é que eu sou?, de Erasmo Carlos, no seu novo cd -  Sónós“O que é que eu sou? Eu vim porque? Pra onde eu vou? Onde é que eu tava?
Onde é aqui? Quem me mandou? Qual é o nome da minha alma?
Acho que sou fruto da imaginação, a imagem viva da ilusão.
Falso faz de conta do que seja uma mulher ou uma miragem de um dejavu qualquer.
Você é quem? Veio de onde? O que faz aqui? Pra onde vai? Você não sabe, eu também não sei. Somos um todo feito de nada.”
 
Descaradamente romântica, ela expõe seus medos, inquietudes, angústias, fragilidades, conflitos, sonhos, dúvidas. Ousa se mostrar mulherzinha, mas logo se esconde de novo. É quase brega e me encantou. É a segunda tradução em 2 dias da minha atual fase.

Recentemente, assisti Maria e Medos privados em lugares públicos. São filmes que fazem repensar. Questionar conceitos, dramas, vontades, temores, objetivos, rotas. São filmes que narram de formas diferentes, de novo, a crise existencial.Ao enfrentar um mundo novo, sinto dores reais, sensações desconhecidas, descubro que sou mais paciente do que imaginava e consigo superar, aos poucos, as dificuldades. Às vezes bem que dá vontade de dormir e acordar depois de alguns dias. Mas não dá tempo de dormir tanto… por sorte! Não dá pra ficar deprê por muito tempo. E é aí que aparecem os verdadeiros amigos, os companheiros de jornada, NO MATHER WHAT.

Dias 31, 1 e 2 próximos a Amma (Mãe em sânscrito) estará no Rio de Janeiro. Ela é uma líder humanitária e espiritual indiana que abençoa as pessoas através do abraço - já abraçou mais de 30 MM de pessoas no mundo. Quem já recebeu o seu abraço, não consegue colocar em palavras a sensação de bem estar. É emocionante. É o tipo de coisa que não precisa acreditar. Só sentir. Eu vou abraçar a Amma.

Essa fase não é depressiva. Ela é, sim, mais solitária. Tento me ouvir. E essa talvez seja a parte mais difícil. Mas não há de ser nada. Tô focada.  

Necessaire por Mabel Assunto: Necessaire, Vida Nova, Tudo

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Ser igual a 1

5 de Julho, 2007

Essa semana tô de cama. Cheia de gripe e ainda com um super corte no dedo. Dramática e sem inspiração. Hoje vou me permitir (adoooro me permitir) não falar de compras. E se eu levar uma bronca das outras calcinhas que esse texto deveria ter entrado em Relacionamento, dane-se. Num tô boa, mesmo.  O tema é a falta que faz ter + 1 em algumas situações.

Tô doente - Nem precisa ser muito doente, pode ser dengosa mesmo. Ser acordada pra tomar o remédio, ganhar dose extra de carinho, a mão na testa pra ver se a febre já foi, o cházinho bem vindo, o arrumar do edredon pertinho do pescoço pra deixar tudo bem quentinho. Coisas bem simples, nada de mais, não. Tô falando de carinho e atenção mesmo.

Acidentes domésticos - Quando cortei meu dedo outro dia lavando um copo (é…), bem que tive uma mão grandona cuidando da minha. O corte era feio, tava dolorido, mas a mãozona fez o curativo algumas vezes durante o final de semana. A mãozona foi fofa.

Cadê o manual? – ler manual é contra a minha religião… pra mim isso sempre foi papel do namorado, marido. Sou péssima nisso e assumo. Deixa quem sabe fazer, ué? Agora peno até pra ligar a lavadora de roupas.

O carro quebrou – Ligo pro seguro e logo depois pro meu pai. Paiêêêê!

Compras pesadas – ração de 18 kg. Uma coisa é você carregar seu filho com esse peso, que se encaixa todinho no seu colo, mas vai levar o saco de ração do carro até a dispensa. Ninguém merece!

Os 2 dormiram – Depois de um jantar na casa de amigos, estaciono o carro na garagem, olho pra trás e meus dois filhos estão dormindo. Prova de força e equilíbrio conseguir subir com um em cada braço + bolsa + brinquedos + a sacola de roupinhas extras deles.

RSVP – Olá, gostaria de estar confirmando a sua presença no casamento do fulaninho no próximo final de semana? Claro, vou sim, pode confirmar. Correto, mas é só uma pessoa mesmo? …  (que óóóóóóóódiooooooooooo).

Tô muito afim de dar uma transadinha – bom, é pra isso que exitem os amigos-coloridos… Alô? Na sua ou na minha?

Há algum tempo, depois de uma sessão dupla de terapia via Skype, a Alê me disse uma frase que é a cara dela: (…) enfim, estas coisas que podem te ocupar e ainda conhecer gente nova, ficar mais sabida… e aí você chora de vez em quando com as amigas e logo já está se apaixonando de novo… e encontrando a tampa da sua panela. Porque você é uma Le Creuset meu amor!  

Amei! :)

Necessaire por Mabel Assunto: Necessaire, Vida Nova

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