Arquivo para o mês: Dezembro, 2007

Meu coração não tem divisão

7 de Dezembro, 2007

Demorei cinco dias para conseguir escrever sobre o assunto. Só hoje baixou a febre. Ainda não consigo comer direito. A dor é um negócio que nunca vai passar. E, como diz um corintiano por aí, a vontade é de ficar surdo e mudo por um ano.

Os danos são incalculáveis e só faz quatro dias.

Ainda estou na fase egoísta. É que a minha dor é tão grande, que é duro demais imaginar que isto esteja acontecendo também com outras 30 milhões de pessoas. Meu sofrimento individual me basta nesse momento. E saber que tem mais gente na mesma situação só piora tudo. De vez em quando, ainda escorre uma lágrima ou outra. Nada grave. É só quando a realidade insiste em cutucar o coração e, aí, os olhos se manifestam sem que a gente autorize. Uma coisa realmente muito chata, porque não é simples explicar. As outras pessoas não entendem o que acontece e acham até que você é babaca.

Uma vez tive uma dor de cabeça tão profunda, que tinha certeza que era impossível sentir dor maior. Estava errada. Dor de amor, então… Sabe aquela dor que abre o peito, arranca o coração pra fora, pisa em cima e devolve pro seu corpo todo desmilingüido?? Não passa nem perto. Já teve dor de medo? Medo de perder alguém importante. Medo de ser pega na pior situação da Terra. Medo de ter aquela merda revelada… Já fui demitida também de um emprego que eu amava. E doeu, viu! Ninguém que teve participação nisso (porque me recontrataram dois dias depois, dizendo que foi um equívoco) pode imaginar o que causou em mim. Hoje, perdôo todos eles, sabendo que dos males, vivi o menor.

Ainda não estou 100%. Talvez nunca volte a ser a mesma. Perdi dois quilos. Mas essa foi a menor perda. Acho que já é hora de pensar no próximo passo, que é de união. Porque não existe corintiano sozinho. A gente pode tentar, mas é quase impossível não encontrar pares onde quer que esteja. E é só quando a gente olha aquele mar de gente torcendo pela mesma coisa, acreditando no mesmo escudo, defendendo as mesmas cores que você volta a ser feliz. Quando você olha pra camisa, olha para o que representam onze jogadores em campo, o coração enche de uma energia quente, que domina o corpo inteiro e dá um conforto quase impossível de explicar.

Só quando você nasce corintiano é que consegue ver razão nesse tipo de sensação. É que entende a peregrinação de milhões de pessoas por todos os estádios brasileiros para empurrar um time que – não por culpa deles – mal consegue resistir noventa minutos em campo. Porque a nossa obrigação é colocar nosso time – seja qual for – pra frente. E quando cada um entende a sua função, as coisas ficam mais simples. Vamos lá… Nos estádios mais escondidos, nas arquibancadas mais desconfortáveis, sem água gelada, sem transporte fácil, ouvindo acusações, sacanagens e toda a sorte de canalhices que nos é inevitável escutar.

Dois mil e oito vai ser difícil. Mas que ano foi fácil? Nossa missão é sempre a mesma! Nosso coração não tem divisão!!

Esportes por Michele Chaluppe Assunto: Timão

3 comentários


Toquinho…

3 de Dezembro, 2007

Eu já era apaixonada por ele.
Agora, Toquinho me ajuda a engolir a dor do Rebaixamento, num texto lindo!
O Globo Esporte cobriu os sentimentos dele com as imagens da nossa Fiel. Tá aqui!!

http://video.globo.com/Videos/Player/Esportes/0,,GIM761597-7824-TOQUINHO+LAMENTA+O+REBAIXAMENTO+DO+CORINTHIANS,00.html

Esportes por Michele Chaluppe Assunto: Timão

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Eu nunca vou te abandonar

2 de Dezembro, 2007

Como não tenho nenhuma condição de escrever nada, vou emprestar o texto do Juca Kfouri!! Ele é corintiano e deve saber o que diz…

02/12/2007
Goiás salvo, Corinthians na Segundona!

O Corinthians demorou 20 minutos para entrar em campo.

Mas não levou nem 90 segundos para tomar o primeiro gol no Olímpico, um Olímpico com a faca entre os dentes, louco para ver o Corinthians rebaixado, como já aconteceu duas vezes com o Grêmio.

E Jonas fez 1 a 0, de cabeça, em cobrança de falta pela esquerda.

Só dava Grêmio, que perdeu duas chances de ouro para ampliar, e o melhor que o corintiano tinha a fazer era mudar-se para o Serra Dourada e torcer pelo Inter.

Veria Paulo Baier perder gol certo ao diividir uma bola com Clemer, veria Fabiano Oliveira mandar uma bola na trave gaúcha e veria Elson empatar.

Sim, porque, antes, Orosco tinha feito 1 a 0 para o Inter, em gol parecido com o do Grêmio, também de cabeça em cobrança de falta pela equerda.

Enquanto o Serra Dourada explodia com o empate esmeraldino, que salvava o Goiás, Clodoaldo, antes mesmo que o Inter desse a saída, empatava no Olímpico, em cruzamento de Carlos Alberto.

Então, baixou uma espécie de letargia no Goiás e, ao mesmo tempo, no Grêmio, que já sabia que o Cruzeiro fazia 2 a 0 no América e tirava suas chances de Libertadores.

Com o que o Corinthians não só equilibrou a partida como até levou algum perigo.

O Goiás foi rebaixado para seu vestiário e o Corinthians salvo para o dele.

Mas faltavam 45 minutos.

45 minutos de enlouquecer.

Porque quando ambos os segundos tempos começaram, o Paraná Clube, com 10 jogadores desde o começo do jogo, já perdia para o Vasco, gol de Morais, o que deixava a parada só mesmo entre Corinthians e Goiás, Grêmio e Inter.

Ainda mais que, em seguida, Leandro Amaral aumentava em São Januário.

Aos 10 minutos, Paulo Baier começou a bater pênaltis para Clemer se adiantar e defender, um em cada canto.

Aí, Elson fez 2 a 1, tirou o Goiás da Série B e botou o Corinthians.

Mesmo já sem chances de Libertadores com o fim do jogo no Mineirão, o Grêmio era mais perigoso e obrigava Felipe a se virar.

O Vasco fazia 3 a 0 e acabava de despachar o Paraná Clube.

No Corinthians, perdinho da silva depois do segundo gol goiano, entraram Arce, Aílton e Héverton, nos lugares de Bruno Octavio, Everton e Vampeta.

Tuta entrava no lugar de Tcheco, no Grêmio.

O Goiás fazia a parte dele e se salvava.

O Corinthians pagará na Segunda Divisão por todos os erros que cometeu neste século 21.

Triste, mas justo.

Escrito por Juca Kfouri às 18h16

Esportes por Michele Chaluppe Assunto: Timão

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