há algum tempo eu estava querendo escrever sobre ela.
eu estava em uma livraria no rio, tentando equilibrar um daqueles livros pesados, lindos e enormes que apresentam trabalhos de artistas plásticos, quando vi uma página colorida. muito colorida.
eram flores, círculos, bolinhas, bolotas, espaços… cores de fazer inveja até ao mais bonito dos arco-irís já vistos.
ali aprendi: Beatriz Ferreira Milhazes.
da Escola de Artes Visuais do Parque Lage para o mundo, a artista representou o Brasil na 50. Biennale di Venezia em 2003, participou da Bienal de Shangai, China, em 2006 e das 24a e 26ª Bienais de São Paulo em 1998 e 2004.
já está prevista para outubro de 2008 uma mostra retrospectiva na Estação Pinacoteca em São Paulo e em 2009 na Fundation Cartier pour l’art contemporain em Paris.
hoje suas obras já estão nas mais importantes coleções do mundo: MoMA – Museum of Modern Art de Nova York; Museo Nacional Reina Sofia, Madrid e Metropolitan Museum of Art, Nova York.
seu “Maresias” (2002) é capa do livro Art Now, vol. 2, publicado pela Editora Taschen.
pouca coisa não viu?
na exposição que está atualmente na Galeria Fortes Vilaça, pinturas e colagens inéditas onde a artista complexifica sua própria linguagem, fazendo um intercâmbio entre as duas técnicas. a maioria em grandes dimensões, e todos já vendidos.
nas colagens, Milhazes usa papéis coloridos e estampados, embalagens de chocolates, balas e sacolas de lojas!
juro que procurei, mas não achei na internet o trabalho que mais gosto dela: uma flor coloridíssima feita petala por petala de embalagem de chocolates! imagine o brilho de embalagens como Bis e Sonho de Valsa formando uma flor pop, brilhante e opaca, rugosa e lisa, listrada e escrita.

“(…) no trabalho com a cor, faço uma ligação entre vida e pintura. O carnaval - uma festa popular brasileira frenética - sempre me estimulou com seu visual, atmosfera, loucura, beleza etc. Os desfiles, com suas combinações de cores e conceitos, são muito malucos, mas por outro lado todas essas coisas estão muito longe da pintura, do meu ateliê, do meu cotidiano. Ao contrário de Hélio Oiticica, que também trouxe referências do carnaval para o seu trabalho, eu jamais, em nenhum momento, fiz parte do mundo do samba ou do carnaval. E nunca quis fazer parte. Sou uma carnavalesca conceitual. O mesmo acontece com a cultura psicidélica e a religião, ainda que eu acredite em Deus. Acho que uma caminhada na praia é a melhor maneira de conectar geometria séria e carnaval”.
Beatriz Milhazes

Galeria Fortes Vilaça
Rua Fradique Coutinho 1500 . t. 11 3032 7066
www.fortesvilaca.com.br
até 26.01.08 - terça a sexta 10h às 19h / sábado 10h às 17h