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Gabeira e Obama: algo em comum?

5 de November, 2008

O GLOBO - por Julita Lemgruber*

As campanhas de Gabeira e de Obama tiveram algo em comum: o envolvimento entusiasmado de cidadãos que acreditaram ser possível eleger seus candidatos. Mas, com uma diferença marcante: o nível e o compromisso desse envolvimento. 55.000 foi o número dos eleitores faltantes para eleger Gabeira. Nos Estados Unidos, ao contrário, o povo foi às urnas em proporções jamais vistas na história política americana e elegeu o primeiro negro a comandar os destinos de um país onde grupos que defendem a  chamada “supremacia branca” são inúmeros, agressivamente atuantes, e onde os negros totalizam apenas 12% da população. Vale lembrar, também, que nos Estados Unidos o voto não é obrigatório e o dia das eleições não é feriado.


Acompanhei de perto, nestes últimos meses, como a campanha de Barack Obama alterou para sempre a forma de se fazer política neste país, envolvendo uma legião de voluntários e utilizando a internet com competência jamais vista - para arrecadar fundos, mandar mensagens diárias para milhões de pessoas e divulgar vídeos. Pela primeira vez na história das eleições americanas os democratas tiveram o dobro dos recursos de seus opositores e 95% destes recursos vieram de pequenas contribuições, muitas de cinco ou dez dólares, feitas pela internet.
O chamado grass roots movement, ou “movimento da base da sociedade” envolveu o país numa cruzada cívica sem precedentes. A quantidade de voluntários que dedicaram horas de seus dias ao trabalho por seu candidato, seja nas ruas, em suas casas, ou nos comitês distribuídos por todos os lados,  superou as expectativas mais otimistas dos organizadores da campanha.
Equipes de voluntários, principalmente de jovens, organizaram-se para telefonar para eleitores desenvolvendo os chamados phone banks, que funcionavam até quinze horas por dia, em espaços cedidos por apoiadores de Obama. Só na véspera das eleições foram feitas mais de duas milhões de ligações em todos os Estados Unidos. Nos estados onde a disputa estava mais acirrada,  milhares de entusiastas da campanha bateram de porta em porta “vendendo” seu candidato, distribuindo material de divulgação e anotando os nomes de eleitores, interessados em votar em Obama, que precisavam de carona para ir votar ou de alguém para ficar com seus filhos pequenos enquanto votavam.
A estratégia que muitos chamaram de “recidadanização” foi também vitoriosa. Estimulados pela mensagem de mudança, milhões de americanos, principalmente negros e hispânicos,  que jamais se registraram para votar, seja por desencanto com a política, seja por descrença dos políticos, seja por não acreditar que seu voto faria qualquer diferença, votaram pela primeira vez. E votaram majoritariamente em Obama.
Ao longo dos meses, voluntários trabalharam com algumas metas muito claras: convencer democratas históricos de que a campanha não estava ganha e que cada voto contava; convencer democratas, que não gostavam muito da idéia de um negro como presidente, de que Obama era a única opção para mudar o rumo do país; convencer os chamados independentes, eleitores sem filiação republicana ou democrata, de que a crise econômica não poderia ser resolvida com a continuação da política de Bush, representada por McCain; e, finalmente, convencer republicanos frustrados com a guerra no Iraque e a excessiva desregulamentação da economia, de que Obama era a opção adequada para todos os americanos.
As eleições americanas de 2008 já fizeram história e quem não acreditou que os voluntários de Obama mudariam os rumos do país se deu mal. Brasileiros e cariocas têm muito a aprender com estas eleições.

*Julita Lemgruber é diretora do CESeC/UCAM e visiting fellow na Harvard Law School


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FLIP! FLIP! FLIP!!

2 de July, 2008

FLIP 2008 - de 2 a 6 de julho.

mais um ano, a Flip começando e eu presa aqui….
só pra constar!
depois resmungo mais da vida e falo mais da festa tá?
preciso me recompor primeiro.

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Se todo mundo sambasse…

30 de April, 2008

Tem mais samba
(Chico Buarque/1964)

Tem mais samba no encontro que na espera
Tem mais samba a maldade que a ferida
Tem mais samba no porto que na vela
Tem mais samba o perdão que a despedida
Tem mais samba nas mãos do que nos olhos
Tem mais samba no chão do que na lua
Tem mais samba no homem que trabalha
Tem mais samba no som que vem da rua
Tem mais samba no peito de quem chora
Tem mais samba no pranto de quem vê
Que o bom samba não tem lugar nem hora
O coração de fora
Samba sem querer


Vem que passa
Teu sofrer
Se todo mundo sambasse
Seria tão fácil viver



sou carioquérrima da gema e da clara. amo samba.
desde pequena. talvez desde que a minha babá me fazia fantasia de carnaval com pedaços da fantasia de baiana dela. salgueiro, eu como ela.
mas raras são as vezes que vou atrás do samba quando estou feliz.
normalmente ouço, dança, canto a plenos pulmões quando estou sofrendo.
seja do estomago doendo ou do coração estraçalhado.

tem mais samba na minha vida quando ela não é minha.

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último post em 2007

31 de December, 2007

nestes novos 366 dias que estão chegando, eu quero…

1. parar de fumar
2. emagrecer
3. malhar
4. viajar, mais
5. estudar, mais
6. namorar, mais
7. não cobrar tanto de mim mesma
8. dizer “não” mais vezes
9. dizer “sim” sem pensar muito
10. não me culpar por ligar o “foda-se”
11. dar mais atenção aos amigos
12. dar mais atenção pra familia
13. dar mais atenção ao namorido
14. arrumar mais tempo pra mim
15. escolher uma religião
16. escolher um apartamento
17. escolher um vestido pro próximo reveillon
18. aprender de vez a comer salada
19. resistir e comer chocolate só na Páscoa
20. não esbravejar com o mundo nos períodos tepeemísticos mensais
21. escrever toda a semana
22. usar creme anti-rugas todos os dias
23. economizar dinheiro
24. gastar mais energia
25. me estressar menos
26. amar mais
27. plantar uma árvore
28. fazer um filho

feliz ano novo! :)

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update de informações

7 de December, 2007

você já viu O Cheiro do Ralo?
você curtiu o texto do Xixo Sá no post anterior?
e agora, você sabia que o escritor aparece no filme?
pois é… ele é o Homem da Garrafa, que aparece com uma garrafa (óbvio!) para vender e diz: “Essa garrafa não serve para nada, nem para vender. Ela só serve para fazer poesia.”

:)

você não viu o filme??
você não leu o post??
tsc tsc tsc…. recomponha-se!

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lions for lambs

3 de December, 2007

talvez eu seja a última romântica. não, esse post não está na coluna errada.
talvez eu seja a última ideológica romântica. melhor assim?

talvez isso explique o fato de eu ter tanto orgulho de ter estudado durante 7 anos no melhor colégio federal do Brasil. de ter orgulho de ter participado do movimento dos caras-pintadas (sim, eu me pintei e eu fui às ruas e achava que tinha realmente derrubado um presidente). de não ter fugido das convocações para trabalhar em três eleições seguidas para ir à praia. de ter olhado para o outro lado da política e sempre ter optado por dirigentes em quem eu mesma acreditava, e não o Jornal Nacional. de ter escolhido aprender francês e não inglês, por achar que o país europeu era mais interessante, e o sotaque mais charmoso.
e mais meia dúzia de resoluções que tomei e posso até me arrepender de uma ou outra, mas não renego nenhuma delas.

talvez esse amor tupiniquim explique o fato de eu me incomodar tanto com bairrismos - com paulistas que dizem que cariocas não trabalham, com quem acha que baiano só faz carnaval e paraíba não sabe falar.

talvez explique o fato de eu me incomodar tanto com quem acha que preto só faz merda, velho esqueceu de morrer e criança é trombadinha.

talvez explique o fato de eu me incomodar tanto com quem acha que o país nunca vai sair do Terceiro Mundo, que aqui nada funciona, só existe a Lei de Gerson e bom mesmo é “lá fora”.

mas cada vez que eu tremo ao ouvir essas coisas eu percebo que quem está falando é uma bunda gorda sentada numa cadeira, incapaz de agir, de levantar e se mobilizar. seja para mudar o mundo ou dar passagem na saída do elevador.

sim, me incomodo também com indios queimados, prostitutas espancadas, juros sem correção e preso que tem que reformar a própria cela. tanto quanto com Hugo Chavez e cheerleaders que animam militares americanos em bases militares no Iraque.

mas eu me incomodo e me mexo. e me inflamo. e me exponho.
e nunca vou me abster.
posso fazer parte do rebanho, mas faço questão de um leão para seguir.

** momento respiração **
Lions for Lambs
esse post tá atrasado mas foi inspirado no filme com o melhor argumento que eu vi nos últimos tempos: Lions for Lambs.

If you don´t stand for somenthing
you might fall for anything.

What do you stand for?



visite
:: www.lionsforlambsmovie.com

:: www.youtube.com/lionsforlambs

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amando no séc XXI

14 de November, 2007

o amor dos tempos modernos devia ganhar outro nome.
ou será que o amor mudou de forma?
ou eu não estou sabendo lidar com as novas ferramentas?
eu já tive diário com chave, escrevi cartinhas apaixonadas em papéis de carta cheirosinhos que nunca enviadas, enviei outras em envelopes selados escritas em folhas de caderno (às vezes no meio da aula, confesso), colei mil adesivos no telefone do meu quarto enquanto esperava uma ligação, tentava me tornar visível indo aos mesmos lugares que o prospect estava….

hoje em dia o correio ficou eletrônica, o bina do celular deduz quem liga e você nem precisa passar a tarde em casa na cama olhando o telefone e pedindo para ele tocar e não tenta ser percebida quando passa, basta ficar online no MSN.

quantas vezes você já ficou clicando em “Enviar/Receber” do programa de e-mail para ver se tem alguma novidade na Caixa de Entrada?

quantas vezes você passou o dia esperando uma ligação no celular e quando o bina acusou a tal você clicou em “Ignorar” só para não atender e fazer charme?

quantas vezes você não atendeu um número desconhecido e depois ligou para saber se era quem você queria que fosse - e não a central do cartão de crédito?

quantas vezes você já ficou online, e offline e online de novo rezando para alguém do outro lado perceber a sua presença?

quantas vezes você já não abriu e fechou o MSN (ou qualquer outro programa de troca de mensagens instantâneas) para ver se tinha ?alguém? online?

quantas vezes, durante uma conversa no MSN, você já não se pegou olhando a barra de status para ver se o outro estava escrevendo alguma coisa ou simplesmente ignorando seu ultimo ?hahaha? (pena que não adianta jogar o cabelo para o lado nessa hora né?).

o amor dos tempos modernos não me seduz. me irrita. muito.


O MSN E O AMOR OU MIOJO SENTIMENTAL
(Xico Sá)

Em dez minutos, pronto, você está lá na maior das intimidades com a criatura. Tudo aquilo que demorava dias, meses, com as missivas ou flertes da vida real, virou coisa de segundos. É o amor nos tempos do Messenger… Tudo muito rápido, espécie de miojo sentimental, emoções baratas, 3,5 minutos, ferveu, fodeu!

Você nem carece pegar na mão, já vai direto pra cama, pra detrás da moita mais platônica. Não carece nem cantar Paulinho da Viola, olá como vai, quanto tempo, pois é, quanto tempo…

E não é coisa apenas desses moços, pobres moços. Minha amiga K., por exemplo, 55 anos, Madame Bovary dos tempos digitais, tem quatro amantes ?fixos? virtuais, além do marido de carne, osso e ronco, como ela mesma diz. ?Vou deixar um deles, pois não tem comparecido a contento?, solta a blague. Todos jovens, quase donzelos, meu Deus.

Antes bastava ficar de olho na chegada do carteiro, o bravo homem de amarelo, com o seu embornal de cobranças, boas novas ou lágrimas…

Amor e tecnologia… No princípio era apenas o bina, e matou o velho mistério do telefonema mudo e anônimo. Ofegante, a criatura, apaixonada, ligava só para ouvir a voz do obscuro objeto de desejo do outro lado da linha. Ou mandava uma música do Rei, de preferência a mais romântica: ?Vou cavalgar por toda noite, numa estrada colorida…?

É, o telefonema dos desencorajados do amor, esse clássico das antigas, está praticamente enterrado.
Depois, chegou a telefonia móvel. Uma revolução na crônica de costumes. O fim de muitas desculpas canalhas. Tipo aquele homem que tomava um chá de sumiço e voltava, batom até no lenço d´alma, com os álibis mais inverossímeis desse planeta.

Outra alvissareira função do celular é fugir dos mal-assombros sentimentais. Você quer ir numa festa e sabe que aquele infeliz pode estar lá, serelepe, nos braços de uma ?vagabunda? qualquer. Uma ligação e pronto, o amigo dá o serviço completo das assombrações. Pena que o mesmo aparelho também sirva para matar as surpresas, o friozinho na barriga, aquela coisa toda, lembra?

O amor nos tempos do Messenger. E o novo problema já está ficando velho, grego, decifra-me ou te deleto: como transformar uma tara platônica em uma trepada homérica?

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O vendedor de palavras

17 de October, 2007

“Ouviu dizer que o Brasil sofria de uma grave falta de palavras. Em um programa de TV, viu uma escritora lamentando que não se liam livros nesta terra, por isso as palavras estavam em falta na praça. O mal tinha até nome de batismo, como qualquer doença grande, “indigência lexical”.
Comerciante de tino que era, não perdeu tempo em ter uma idéia fantástica.
Pegou dicionário, mesa e cartolina e saiu ao mercado cavar espaço entre os camelôs.
Entre uma banca de relógios e outra de lingerie instalou a sua: uma mesa, o dicionário e a cartolina na qual se lia: “Histriônico - apenas R$0,50!”.

Demorou quase quatro horas para que o primeiro de mais de cinqüenta curiosos parasse e perguntasse.

- O que o senhor está vendendo?
- Palavras, meu senhor. A promoção do dia é histriônico a cinqüenta centavos como diz a placa.
- O senhor não pode vender palavras. Elas não são suas. Palavras são de todos.
- O senhor sabe o significado de histriônico?
- Não.
- Então o senhor não a tem. Não vendo algo que as pessoas já têm ou coisas de que elas não precisem.
- Mas eu posso pegar essa palavra de graça no dicionário.
- O senhor tem dicionário em casa?
- Não. Mas eu poderia muito bem ir à biblioteca pública e consultar um.
- O senhor estava indo à biblioteca?
- Não. Na verdade, eu estou a caminho do supermercado.
- Então veio ao lugar certo. O senhor está para comprar o feijão e a alface, pode muito bem levar para casa uma palavra por apenas cinqüenta centavos de real!
- Eu não vou usar essa palavra. Vou pagar para depois esquecê-la?
- Se o senhor não comer a alface ela acaba apodrecendo na geladeira e terá de jogá-la fora e o feijão caruncha.
- O que pretende com isso? Vai ficar rico vendendo palavras?
- O senhor conhece Nélida Piñon?
- Não.
- É uma escritora. Esta manhã, ela disse na televisão que o País sofre com a falta de palavras, pois os livros são muito pouco lidos por aqui.
- E por que o senhor não vende livros?
- Justamente por isso. As pessoas não compram as palavras no atacado, portanto eu as vendo no varejo.
- E o que as pessoas vão fazer com as palavras? Palavras são palavras, não enchem barriga.
- A escritora também disse que cada palavra corresponde a um pensamento. Se temos poucas palavras, pensamos pouco. Se eu vender uma palavra por dia, trabalhando duzentos dias por ano, serão duzentos novos pensamentos cem por cento brasileiros. Isso sem contar os que furtam o meu produto. São como trombadinhas que saem correndo com os relógios do meu colega aqui do lado. Olhe aquela senhora com o carrinho de feira dobrando a esquina. Com aquela carinha de dona-de-casa ela nunca me enganou. Passou por aqui sorrateira. Olhou minha placa e deu um sorrisinho maroto se mordendo de curiosidade. Mas nem parou para perguntar. Eu tenho certeza de que ela tem um dicionário em casa. Assim que chegar lá, vai abri-lo e me roubar a carga. Suponho que para cada pessoa que se dispõe a comprar uma palavra, pelo menos cinco a roubarão. Então eu provocarei mil pensamentos novos em um ano de trabalho.
- O senhor não acha muita pretensão? Pegar um…
- Jactância.
- Pegar um livro velho…
- Alfarrábio.
- O senhor me interrompe!
- Profaço.
- Está me enrolando, não é?
- Tergiversando.
- Quanta lenga-lenga…
- Ambages.
- Ambages?
- Pode ser também evasivas.
- Eu sou mesmo um banana para dar trela para gente como você!
- Pusilânime.
- O senhor é engraçadinho, não?
- Finalmente chegamos: histriônico!
- Adeus.
- Ei! Vai embora sem pagar?
- Tome seus cinqüenta centavos.
- São três reais e cinqüenta.
- Como é?
- Pelas minhas contas, são oito palavras novas que eu acabei de entregar para o senhor. Só histriônico estava na promoção, mas como o senhor se mostrou interessado, faço todas pelo mesmo preço.
- Mas oito palavras seriam quatro reais, certo?
- É que quem leva ambages ganha uma evasiva, entende?
- Tem troco para cinco?


Fábio Reynol (1973), paulista da cidade de Campinas, é jornalista e escritor.

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