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música (emprestada) da vez…

17 de Junho, 2008

há pouco mais de um mês eu escrevi sobre o quanto o samba mexe com a minha alma.
mas na verdade a música mexe com a minha alma, com meu corpo, com meu coração.
de todo mundo né?

nada melhor para espantar os males cantando bem alto, desafinado mesmo, fingindo que a escova de cabelo é o microfone e o tapete da sala o palco dos sonhos.
nada melhor para afogar as mágoas e chorar ouvindo a playlist “deprê”.
nada melhor que achar que aquela música foi feita para você - ou por você - e torná-la seu mantra, nem que seja por um dia.
quem sabe ela realmente não se transforma na sua música? ou transforma a sua vida?

a playlist da minha vida tem várias músicas, algumas que eu nem quero mais ouvir… mas hoje eu vou pegar uma música emprestada… uma dica de um amigo querido, acho que ele não vai se importar.
Deus queira que eu te devolva ela em breve! ;)

Não Vá
(Sandra De Sá - sim, ela fez outra música além de “joga fora no lixo”)

De repente me deu uma louca vontade de estar com você
Dar um ponto final e tornar natural meu viver por viver
Esquecer de uma vez quem está com a razão
E matar a vontade do meu coração
Descobrir novamente o sabor do prazer
Ir a lua e voltar quando estou com você
Você é o remédio que vai me curar de todo esse mal
Já andaram dizendo você lamentou minha falta afinal
Diga pra os seus amigos que não me esqueceu
Deixe tudo de lado e procure o que é seu
Pois se todo o seu medo é eu não lhe aceitar
Vou contar um segredo não dá pra aguentar
Não vá, não vá
Não vá se iludir se enganar
Pois tantas você fez com sua indecisão
Se um quis aventura
Dois curtiram solidão
Não vá, não vá
Preciso de você pra me ajudar
Pois tantas você fez com sua indecisão
Se um quis aventura
Dois curtiram solidão

Cultura por Lais Orrico Assunto: all we need is love, música, Tudo

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amando no séc XXI

14 de Novembro, 2007

o amor dos tempos modernos devia ganhar outro nome.
ou será que o amor mudou de forma?
ou eu não estou sabendo lidar com as novas ferramentas?
eu já tive diário com chave, escrevi cartinhas apaixonadas em papéis de carta cheirosinhos que nunca enviadas, enviei outras em envelopes selados escritas em folhas de caderno (às vezes no meio da aula, confesso), colei mil adesivos no telefone do meu quarto enquanto esperava uma ligação, tentava me tornar visível indo aos mesmos lugares que o prospect estava….

hoje em dia o correio ficou eletrônica, o bina do celular deduz quem liga e você nem precisa passar a tarde em casa na cama olhando o telefone e pedindo para ele tocar e não tenta ser percebida quando passa, basta ficar online no MSN.

quantas vezes você já ficou clicando em “Enviar/Receber” do programa de e-mail para ver se tem alguma novidade na Caixa de Entrada?

quantas vezes você passou o dia esperando uma ligação no celular e quando o bina acusou a tal você clicou em “Ignorar” só para não atender e fazer charme?

quantas vezes você não atendeu um número desconhecido e depois ligou para saber se era quem você queria que fosse - e não a central do cartão de crédito?

quantas vezes você já ficou online, e offline e online de novo rezando para alguém do outro lado perceber a sua presença?

quantas vezes você já não abriu e fechou o MSN (ou qualquer outro programa de troca de mensagens instantâneas) para ver se tinha “alguém” online?

quantas vezes, durante uma conversa no MSN, você já não se pegou olhando a barra de status para ver se o outro estava escrevendo alguma coisa ou simplesmente ignorando seu ultimo “hahaha” (pena que não adianta jogar o cabelo para o lado nessa hora né?).

o amor dos tempos modernos não me seduz. me irrita. muito.


O MSN E O AMOR OU MIOJO SENTIMENTAL
(Xico Sá)

Em dez minutos, pronto, você está lá na maior das intimidades com a criatura. Tudo aquilo que demorava dias, meses, com as missivas ou flertes da vida real, virou coisa de segundos. É o amor nos tempos do Messenger… Tudo muito rápido, espécie de miojo sentimental, emoções baratas, 3,5 minutos, ferveu, fodeu!

Você nem carece pegar na mão, já vai direto pra cama, pra detrás da moita mais platônica. Não carece nem cantar Paulinho da Viola, olá como vai, quanto tempo, pois é, quanto tempo…

E não é coisa apenas desses moços, pobres moços. Minha amiga K., por exemplo, 55 anos, Madame Bovary dos tempos digitais, tem quatro amantes “fixos” virtuais, além do marido de carne, osso e ronco, como ela mesma diz. “Vou deixar um deles, pois não tem comparecido a contento”, solta a blague. Todos jovens, quase donzelos, meu Deus.

Antes bastava ficar de olho na chegada do carteiro, o bravo homem de amarelo, com o seu embornal de cobranças, boas novas ou lágrimas…

Amor e tecnologia… No princípio era apenas o bina, e matou o velho mistério do telefonema mudo e anônimo. Ofegante, a criatura, apaixonada, ligava só para ouvir a voz do obscuro objeto de desejo do outro lado da linha. Ou mandava uma música do Rei, de preferência a mais romântica: “Vou cavalgar por toda noite, numa estrada colorida…”

É, o telefonema dos desencorajados do amor, esse clássico das antigas, está praticamente enterrado.
Depois, chegou a telefonia móvel. Uma revolução na crônica de costumes. O fim de muitas desculpas canalhas. Tipo aquele homem que tomava um chá de sumiço e voltava, batom até no lenço d´alma, com os álibis mais inverossímeis desse planeta.

Outra alvissareira função do celular é fugir dos mal-assombros sentimentais. Você quer ir numa festa e sabe que aquele infeliz pode estar lá, serelepe, nos braços de uma “vagabunda” qualquer. Uma ligação e pronto, o amigo dá o serviço completo das assombrações. Pena que o mesmo aparelho também sirva para matar as surpresas, o friozinho na barriga, aquela coisa toda, lembra?

O amor nos tempos do Messenger. E o novo problema já está ficando velho, grego, decifra-me ou te deleto: como transformar uma tara platônica em uma trepada homérica?

Cultura por Lais Orrico Assunto: all we need is love, palavras, Tudo

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