um café, um cigarro e um filme, por favor
4 de July, 2009, por Lais Orrico, Sem comentários
não sou muito fã de café, a bebida, muito por influência da medicina ao me dizerem que minha composição fÃsica não era compatÃvel com o lÃquido de sabor forte que me traria gastrite e enxaqueca.
como a humanidade é um pouco mais complexa que prescrições médicas, sou apaixonada por cafés, os ambientes.
de preferência aqueles fechados, envidraçados, com cadeiras de madeira e sofás de estofado vermelho. a luz quente, baixa, o barulho da água quente saindo da máquina, xÃcaras e pires se batendo para ocupar um mesmo espaço.
as conversas dos amigos. os silêncios dos solitários.
a companhia de um cigarro ou um jornal.
e se tudo isso estiver junto em uma esquina parisiense, sim, eu estarei feliz.
talvez por isso, durante o filme Il y a Longtemps que je T’Aime (ou Há Tanto Tempo que te Amo para nós mortais brasileiros) tenha me feito passar por diferentes emoções.
a história se passa na região francesa de Lorena, - fronteira com Alemanha, Bélgica e Luxemburgo - mostra o drama de Juliette Fontaine que sai da prisão depois de 15 anos e vai morar com a irmã mais nova e precisa re-aprender a viver entre cheiros, pessoas e situações.
entre a preguiça de uma narrativa lenta e o nó na garganta em diálogos doloridos, fica o entorpecimento com as expressões de Kristin Scott Thomas, que interpreta a personagem principal e nos faz dançar entre sua rigidez e doçura, entre sua culpa e seu mérito.
todo o tempo ela tenta controlar sua história, sua dedicação em cada relação, seus passos e suas palavras. e quando o impacto da notÃcia do destino de um policial quase-amigo é recebido pela personagem, e pela platéia, nos damos conta que assim como ela não temos controle sobre todas as situações que rodeiam nossa vida.
e ali desistimos das tentativas de responder os porquês.
afinal, a humanidade é mais complexa que prescrições, análises e regras.