Arquivo para o mês: November, 2007

amando no séc XXI

14 de November, 2007

o amor dos tempos modernos devia ganhar outro nome.
ou será que o amor mudou de forma?
ou eu não estou sabendo lidar com as novas ferramentas?
eu já tive diário com chave, escrevi cartinhas apaixonadas em papéis de carta cheirosinhos que nunca enviadas, enviei outras em envelopes selados escritas em folhas de caderno (às vezes no meio da aula, confesso), colei mil adesivos no telefone do meu quarto enquanto esperava uma ligação, tentava me tornar visível indo aos mesmos lugares que o prospect estava….

hoje em dia o correio ficou eletrônica, o bina do celular deduz quem liga e você nem precisa passar a tarde em casa na cama olhando o telefone e pedindo para ele tocar e não tenta ser percebida quando passa, basta ficar online no MSN.

quantas vezes você já ficou clicando em “Enviar/Receber” do programa de e-mail para ver se tem alguma novidade na Caixa de Entrada?

quantas vezes você passou o dia esperando uma ligação no celular e quando o bina acusou a tal você clicou em “Ignorar” só para não atender e fazer charme?

quantas vezes você não atendeu um número desconhecido e depois ligou para saber se era quem você queria que fosse - e não a central do cartão de crédito?

quantas vezes você já ficou online, e offline e online de novo rezando para alguém do outro lado perceber a sua presença?

quantas vezes você já não abriu e fechou o MSN (ou qualquer outro programa de troca de mensagens instantâneas) para ver se tinha ?alguém? online?

quantas vezes, durante uma conversa no MSN, você já não se pegou olhando a barra de status para ver se o outro estava escrevendo alguma coisa ou simplesmente ignorando seu ultimo ?hahaha? (pena que não adianta jogar o cabelo para o lado nessa hora né?).

o amor dos tempos modernos não me seduz. me irrita. muito.


O MSN E O AMOR OU MIOJO SENTIMENTAL
(Xico Sá)

Em dez minutos, pronto, você está lá na maior das intimidades com a criatura. Tudo aquilo que demorava dias, meses, com as missivas ou flertes da vida real, virou coisa de segundos. É o amor nos tempos do Messenger… Tudo muito rápido, espécie de miojo sentimental, emoções baratas, 3,5 minutos, ferveu, fodeu!

Você nem carece pegar na mão, já vai direto pra cama, pra detrás da moita mais platônica. Não carece nem cantar Paulinho da Viola, olá como vai, quanto tempo, pois é, quanto tempo…

E não é coisa apenas desses moços, pobres moços. Minha amiga K., por exemplo, 55 anos, Madame Bovary dos tempos digitais, tem quatro amantes ?fixos? virtuais, além do marido de carne, osso e ronco, como ela mesma diz. ?Vou deixar um deles, pois não tem comparecido a contento?, solta a blague. Todos jovens, quase donzelos, meu Deus.

Antes bastava ficar de olho na chegada do carteiro, o bravo homem de amarelo, com o seu embornal de cobranças, boas novas ou lágrimas…

Amor e tecnologia… No princípio era apenas o bina, e matou o velho mistério do telefonema mudo e anônimo. Ofegante, a criatura, apaixonada, ligava só para ouvir a voz do obscuro objeto de desejo do outro lado da linha. Ou mandava uma música do Rei, de preferência a mais romântica: ?Vou cavalgar por toda noite, numa estrada colorida…?

É, o telefonema dos desencorajados do amor, esse clássico das antigas, está praticamente enterrado.
Depois, chegou a telefonia móvel. Uma revolução na crônica de costumes. O fim de muitas desculpas canalhas. Tipo aquele homem que tomava um chá de sumiço e voltava, batom até no lenço d´alma, com os álibis mais inverossímeis desse planeta.

Outra alvissareira função do celular é fugir dos mal-assombros sentimentais. Você quer ir numa festa e sabe que aquele infeliz pode estar lá, serelepe, nos braços de uma ?vagabunda? qualquer. Uma ligação e pronto, o amigo dá o serviço completo das assombrações. Pena que o mesmo aparelho também sirva para matar as surpresas, o friozinho na barriga, aquela coisa toda, lembra?

O amor nos tempos do Messenger. E o novo problema já está ficando velho, grego, decifra-me ou te deleto: como transformar uma tara platônica em uma trepada homérica?

Cultura por Lais Orrico Assunto: all we need is love, palavras, Tudo

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Dia Nacional da Cultura

5 de November, 2007

hoje é o Dia Nacional da Cultura.
eu ia dizer para todo mundo deixar de lado a curiosidade pela vida das celebridades pelo menos hoje; mas a semana começou movimentada com o novo rebento Angélica/Huck saindo da maternidade (sem Rolex), o Edward Norton filmando no Rio e a Cléo Pires no topo da lista para ser a Bond Girl brasileira.

eu ia dizer para todo mundo aproveitar a hora do almoço pra passear em algum museu ou galeria, mas hoje também é segunda-feira é dia de descanso dos trabalhadores cults deste meu Brasil Varonil.

mas nem tudo está perdido, pois - Aleluia! - existe o Cinemark.
este que tem em mim uma lista de “senões” hoje me enche de orgulho. existe vida após o capitalismo.
PROMOÇÃO DO DIA: filmes brasileiros a R$ 2.

a rede com o maior número de salas de cinema no país (são 358, em 43 complexos - dá pra acreditar?), exibe hoje a oitava edição do Projeta Brasil. este que nos inseriu no universo da a letra K, exibe s-o-m-e-n-t-e filmes brasileiros. e mais! a renda obtida no projeto é destinada aos vencedores de festivais brasileiros e a outras iniciativas de apoio ao cinema nacional.
uma salva de palmas, por favor.

este ano serão 25 títulos encabeçados pelo atual campeão de bilheteria brasileiro A Grande Família, de Maurício Farias, e o atual campeão de polêmica Tropa de Elite, de José Padilha.
dependendo da cidade, você poderá se deliciar com “O Ano que Meus Pais Saíram de Férias”, “Ó Pai, Ó”, “Saneamento Básico”, “O Cheiro do Ralo” e “Não Por Acaso”, ou pagar alguma promessa com “Xuxa Gêmeas” e “O Cavaleiro Didi e a Princesa Lili”.

Daniel Filho separe R$10, arranje uma desculpa esfarrapada para fugir do trabalho e corra para o Cinemark mais próximo!
além de pagar barato, você ainda ganha créditos para não ver nenhum filme nacional nos próximos seis meses e poderá gastar seu rico dinheirinho vendo o Hulk andando pelas ruas do Catete ou a filha da Glória Pires falando inglês.


e viva o Daniel Filho!

Cultura por Lais Orrico Assunto: paixão cinematográfica, orgulho nacional, cinema, Tudo

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o passado, passa?

1 de November, 2007

“Dice mi que me odias, que te gustaría lastimar me, que te enamoraste a otra mujer, pero no me diga que estás ovlidando de mí.”

exibido na abertura da 31a. Mostra Internacional de Cinema, entra em cartaz essa semana “O Passado”, décimo longa do cineasta Hector Babenco (sim, “Carandiru” é dele e a Bárbara Paz também), baseado no romance homônimo de Alan Pauls.

Ricardo Della Rosa, diretor de fotografia fez um trabalho incrível. Gael Garcia Bernal é sempre um ótimo motivo para ver qualquer filme. a desconhecida (para mim) Analia Couceyro dá um show de interpretação. mas eu saí da sala achando que Babenco se perdeu um pouco. me parece que as duas horas de filme não foram suficientes para contar uma história de 480 páginas.
uma história de amor. ou de amores. ou de uma vida após o fim de um amor.
mas… um amor acaba?
o sentimento.. as emoções… somem?
somos capazes de recomeçar do zero?
el pasado
não existe zero.
nossas primeiras emoções aconteceram lá no utero de alguém. depois da primeira sempre virá a segunda, nunca uma outra primeira. o que sentimos hoje só sentimos porque vivemos outros sentimentos antes. e o que sentiremos deste ponto para frente só será do jeito que será pelo que vivemos deste ponto para trás.
o passado não se apaga.
não acaba.
não some.
não desliga.

se por um lado isso é bom, pois a cada nova tristeza sabemos, como diria vovó, que “tudo vai passar, minha filha” e assim aprendemos que sobrevivemos. por outro, também aprendemos que estamos sujeitos a novas tristezas. e mesmo que aumentemos o número de sessões semanais da análise, tudo vai ficar dentro de nós.
o quanto isso é capaz de motivá-lo, somente cada um de nós sabe.

“a separação também pode ser parte de uma história de amor”



e surpresinha deliciosa: o querido e já saudoso Paulo Autran está no elenco. personagem pequetito e interpretação única.

veja!
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Cultura por Lais Orrico Assunto: paixão cinematográfica, cinema, Tudo

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