Calcinha Cultural
20 de May, 2007
No início era a parreira.
Blá blá blá e graças à Revolução Industrial hoje nossos armários têm, no mínimo, uma gaveta recheada de um nome muito mais chique: lingerie. De lycra, de algodão, grandes, pequenas, estampadas, lisas, confortáveis, torturadoras, de liquidação ou ainda com etiqueta; além de sutiãs, cintas-ligas, meias e espartilhos.
Tenho um amigo, o Freud, que diz que “a relação do erotismo com as roupas íntimas nada mais é do que o fetiche, ou feitiço. Isso acontece quando a satisfação pessoal se dá através de objetos ou ornamentos”.
Também tenho um ex que não ligava a mínima para o que eu estava usando. Ejaculação precoce definitivamente é um problema.
Mas em tempo de Britney Spears sem calcinha e Luma de Oliveira com vestido curto só para mostrar a sua, é sempre bom lembrar o quanto essa peça evoluiu pelos tempos.
Lá na Idade Média, no tempo das vestes longas, apesar de tanto pano, a mulherada não usava nada para proteger a dita, e com isso tinha gente se aproveitando de cada cantinho escuro dos palácios. Espécime de “Melrose Place”. Aí, algum rei corno resolveu implementar no processo um pano amarrado na cintura e nas pernas, por baixo de todos os outros um milhão de panos que já se usava. De vingancinha, algum tempo depois, a rainha Catarina de Bragança, entre um chá e outro, levantou a bandeira da igualdade entre os sexos e instituiu a “calça para mulheres”, e de quebra o primeiro achata-peito da história.
Dá pra imaginar que o atentado ao pudor da época, eram as rendas das mega-calçolas aparecendo por baixo dos grandes vestidos, lá na altura da canela?
Precisou de uma guerra e muita música francesa para encurtarem os vestidos, e evoluirmos da calça maria-mijona para a combinação e depois para as cintas-ligas. E finalmente o assumido voyeur Auguste Lumière inventou o cinema, fez Marlenes cruzarem as pernas, Marylins passarem em ventiladores de rua e Kelly LeBrock usar um esvoaçante vestido vermelho e declarar ao mundo que bom mesmo é perna de fora e calcinha na telona.
E como gosto não se discute e a moda é imperativa, vale lembrar dos findos anos 90 quando nas vitrines se viam calcinhas com bumbum falso, com enchimento de espuma de nylon de vários tamanhos e modelagens. Mais ou menos na mesma época que surgiu a expressão ?uó?.
Mas meu dinheirinho é sagrado, em vez deste atentado à minha sensualidade, resolvi recentemente aplicá-lo em uma compra muito mais agradável: meu primeiro kit 3 por $25 de string (o novo nome da velha conhecida calcinha fio-dental).
God bless the Victoria Secret´s!
´té já.
bjus
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:: Trilha Sonora do post inaugural: Kátia Flávia - Fausto Fawcett (claaaro)
Cultura por Lais Orrico Assunto: Tudo