Papo de cozinha

15 de Outubro, 2007, por Roberta Malta, 3 comentários

Alain Ducasse é o chef mais estrelado do mundo e um empreendedor de responsa. O francês tem, ao todo, 21 restaurantes em oito países - que já lhe renderam 14 estrelas que brilham a seu favor na constelação gastronômica - mais hotéis, escolas e uma editora. Por conta disso, Ducasse, aos 51 anos, já tem a cabeça toda branca, mas em compensação, o bolso está recheado de verdinhas. Ainda assim (ou por isso mesmo!), continua charmoso. E foi muito simpático, em que pese seu entourage semelhante ao de um chefe de Estado, no bate-papo durante sua breve passagem pelo Rio. O chef esteve na cidade, semana passada, para ser condecorado como doutor honoris causa pela Universidade Estácio de Sá, com a qual mantém parceria no curso de gastronomia.

Do Campus Tom Jobim, na Barra da Tijuca, monsieur Ducasse conversou comigo

O aparato que os restaurantes três estrelas oferecem encarece muito uma refeição. No caso de países em desenvolvimento, como o Brasil, haveria uma alternativa para isso?

- A alta gastronomia é como a alta-costura: é efetivamente uma tradição, e seu preço sempre será bem superior ao usual. Mas refeições memoráveis podem acontecer em restaurantes de cozinha tradicional ou bistrôs que oferecem preços acessíveis. A diferença é como a da alta-costura para a prêt-à-porter, há qualidade nas duas expressões. Inclusive, é característica da cozinha francesa oferecer refeições de alto padrão em diversos níveis de restaurantes e cultivar esta diferença de escalas.

O que podemos esperar de uma crítica gastronômica e como ela ajuda no avanço da gastronomia?

- A crítica é importante e pode contribuir para o aperfeiçoamento. Deve ser analisada de forma séria para vermos se efetivamente ajuda ou não, podendo propiciar melhorias no que foi criticado.

O Brasil assistiu à série de TV ‘Hell’s Kitchen’, na qual Gordon Ramsay é um ‘chef’ extremamente tirano. O senhor também é assim?

- O Gordon Ramsay da televisão é um personagem. Trata-se de um provocador, um homem de marketing. Ele vai abrir um restaurante na França e disse aos jornalistas que o gado francês era uma porcaria e que iria importar gado inglês, aquele da vaca louca (risos). Pessoalmente, ele é muito diferente e domina bem a cozinha francesa tradicional. Mas é um showman, é o estilo dele!

Mas, e o senhor, como ‘chef’, também é assim?

- Eu, não! Isso é reservado aos ingleses, é uma especialidade britânica (risos).

O senhor disse certa vez que se vê como um Fred Astaire da gastronomia, sempre buscando dar o passo certo. Quem seriam, então, considerando o panorama gastronômico atual, Gene Kelly e Ginger Rogers?

- Digo isso no sentido de que sempre é possível melhorar, aprender com cada passo que dou. Meus grandes parceiros são os meus mestres, aqueles que me inspiraram: Gaston Lenôtre, Michel Guérard, Alain Chapel. Mas nós somos artesãos, não artistas.

O que o motivou a fazer parceria com a Estácio de Sá? Por que o Brasil?

- Fiz esta parceria porque hoje há uma demanda muito grande no Brasil, uma evolução na gastronomia brasileira. As pessoas querem cada vez mais se informar, conhecer, estudar, aprender gastronomia.



3 comentários para “Papo de cozinha”

  1. Giácomo De Camillis Netto,

    Gostaria de receber informações sôbre o uso do massarico no prepara dos pratos, especiais para tal
    Obrigado
    Giácomo

  2. Giácomo De Camillis Netto,

    Goataria de ser orientado para usar massarico na cosinha
    Obrigado
    Giácomo

  3. Giácomo De Camillis Netto,

    Gostaria de receber informações sôbre o uso do massarico na
    cosinha. Obrigado. Giácomo

Comentários